Esteban D’Avila, Pedro (D.)

 [N. ? – m. ?] Governador do Castelo de São Filipe do Monte Brasil (1621-1625). Mestre de campo, cavaleiro de alta qualidade descendente da casa do Marquês de Naves, uma das mais distintas de Espanha, sucedeu a João Ponce de Leão no governo do Castelo.

O seu governo ficou marcado por ingerências em questões locais. Defrontavam-se em Angra, havia algum tempo, dois bandos liderados por tradicionais e influentes famílias da cidade, na disputa por cargos da governança municipal e da Misericórdia: o bando de cima de que eram cabeças os Cantos e os Monizes, e o bando de baixo em que eram principais os Betancores e os Pamplonas. Vinham os corregedores a usar os soldados do presídio espanhol para, em vésperas de esperados distúrbios, prender à cautela aqueles que, supostamente por mais influentes e arrojados, seriam os cabecilhas de previsíveis confrontos. Por coincidência, D. Pedro assume o governo do Castelo quase em simultâneo com a vinda do corregedor Pedro Vaz Freire. Inexperientes na gestão dos conflitos locais, tiveram a insensatez de tomarem partido, o primeiro pelo bando de baixo, o segundo pelo bando de cima, ambos contrariando a recomendação régia de se manterem isentos. E D. Pedro chega mesmo a assestar a sua artilharia contra a casa do capitão-mor e provedor das armadas Manuel do Canto de Castro, líder do bando de cima, só não a atingindo pela distância a que ficava. Mandou o capitão-mor tocar a rebate, e não se levantou um motim em toda a ilha contra o Governador e presídio do Castelo porque D. Pedro se aquietou. Ao ter conhecimento destes factos, mandou el-rei D. Filipe que se apresentassem na corte algumas das pessoas de maior responsabilidade e envolvimento nos bandos, nomeadamente o governador do Castelo, D. Pedro Esteban d’Avila, o corregedor, Pedro Vaz Freire, e o capitão-mor Manuel do Canto de Castro, para averiguações. Ainda antes de partir para Madrid, o governador haveria de afrontar as autoridades locais: por duas vezes, escoltado por soldados armados do presídio, invadiu em fúria a sala das vereações da Câmara, insultando e ameaçando de prisão vereadores e oficiais, caso, de imediato, não arrematassem as necessárias obras do forte de São Sebastião, face a rumores de que a Ilha seria atacada por corsários.

Nos primeiros meses de 1625 chegava à Terceira D. Iñigo Hurtado de *Corcuera y Mendonça, para substituir D. Pedro no governo do Castelo, durante a sua ausência na corte. Embora não tenha voltado à Terceira, não deixou de interferir nas questões do Castelo, em cuja propriedade se encontrava ainda investido, accionando junto das instâncias de Madrid as queixas contra o seu substituto que lhe eram endereçadas de Angra, acusando D. Iñigo de má gestão financeira, parcialidade e perseguição dos militares mais afectos ao governador ausente, propondo-se voltar aos Açores para pacificar o presídio. Acabou, porém, por ser nomeado governador de Buenos Aires, ficando, por este facto, destituído da propriedade do Castelo de São Filipe do Monte Brasil. Manuel Faria

Bibl: Chagas, D. (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. S.l., Secretaria Regional da Educação e Cultura/Universidade dos Açores. Drummond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. 2.ª ed., Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura. Maldonado, M. L. (1989-97), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira.