estapagado
Nome vulgar da espécie de ave marinha Puffinus puffinus (Porcellariidae) (Godman, 1870, como stapagado; Chavigny e Mayaud, 1932; Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.), também conhecida por pardela-sombria (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.) ou fura-buxo (Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, 1990). Dada a semelhança entre esta espécie e P. assimilis, conhecida por frulho ou frulhuco, os nomes vernáculos, são, frequentemente confundidos na bibliografia científica.
Tem plumagem preta por cima e branca por baixo; barrete preto da cabeça abrange o olho, bico preto. Mede entre 30 e 38 cm de comprimento. Constrói os ninhos em buracos escavados no solo, Frutuoso (1998: 133) refere nas rochas, que ocupa entre Fevereiro e Julho, onde põe 1 único ovo no fim de Março. Alimenta-se de pequenos peixes, cefalópodes e pequenos crustáceos. Emite vocalizações características, tanto em voo como no ninho. Visita as colónias durante a noite (Direcção Regional do Ambiente (ed.), s.d.).
Foi muito abundante aquando da colonização dos Açores no século XV. Frutuoso (1998: 135), para a ilha do Corvo, refere «estapagados, maiores que pombas e tão grandes como gralhas, matam no mês de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril, dos quais também tiram azeite, que deitam pela boca, e os comem também, e tomam da mesma maneira. E de todos há tanta multidão, que cobrem a terra, onde, se os não houvesse por mantimento, não dariam tanta renda, como dão, pelo ilhéu, nem poderiam aguardar nele, e não somente se mantêm com eles, mas também mandam muita quantidade nos batéis para a ilha das Flores, sua vizinha». Depois, diminuiu drasticamente, tornando-se muito rara no século XIX. Actualmente, o seu estatuto de conservação é desfavorável, encontrando-se protegida pela Convenção Relativa à Protecção da Vida Selvagem e do Ambiente Natural na Europa (Convenção de Berna) e pela Directiva Comunitária das Aves Selvagens.
Espécie oceânica, migratória dispersiva em direcção ao Atlântico sudoeste, a sua população mundial nidifica na Islândia, ilhas Faroe, Reino Unido, França, Madeira, Canárias e nos Açores (pelo menos nas ilhas do Corvo e das Flores, cf. Chavigny e Mayaud, 1932; Godman, 1870; Guia das aves marinhas dos Açores, s.d.; Le Grand, 1980). Foi Godman (1866) o primeiro autor a esclarecer que esta espécie nidificava nos Açores quando encontrou, na segunda daquelas ilhas, duas fêmeas com ovos no oviduto em estado de desenvolvimento avançado. A sua ocorrência no arquipélago, registada por Morelet (1860), é muito rara e possivelmente confinada às ilhas do grupo ocidental (Bannerman, 1914: 475), embora haja registos de ocorrência em S. Miguel (Le Grand, 1993) e em Santa Maria (um exemplar na colecção do Museu Carlos Machado). Luís M. Arruda
Bibl. Bannerman, D. A. (1914), The distribuition and Nidification of the Tubinares in the
