Estácio
Da ilha Terceira Só um estudo minucioso poderia, eventualmente, determinar se todos os que usam este apelido descendem de Francisco Estácio, morador na cidade de Angra, declarante, em 22.8.1594, perante Fernão Faleiro, Procurador dos Resíduos, que, alegando que o testamento de seu bisavô, Lançarote Gonçalves, se extraviara durante o saque efectuado pelas tropas da esquadra do marquês de Santa Cruz, afirmava sob juramento que meio moio de terra lavradia, com suas casa sobradadas, junto à Ladeira e Serra da Ribeira, pertencia à terça do supracitado bisavô.
E não é fácil, com os dados disponíveis, determinar por que linha descenderia o dito Francisco Estácio de Lançarote Gonçalves que fez o seu assento no lugar da Casa da Ribeira, termo da vila da Praia, com a mulher, que dizem ter-se chamado Isabel Lopes de Madriz, donzela de Isabel Dornelas, mulher de Antão Martins Homem, capitão da jurisdição da Praia.
Com efeito, apenas são conhecidos um filho e duas filhas de Lançarote Gonçalves, da casa da Ribeira.
O filho chamou-se João Gonçalves Duraço de Barros, casou com Catarina Varela, e andou muitos anos homiziado por agravos que terá feito a um meirinho do bispo (de Angra?). É quase certo que militou em África, ou no Oriente, uma vez que o seu testamento, lavrado em 20.5.1545 se iniciava com o Credo redigido em língua arábica. Nesse documento instituía um morgado, declarava ter erigido a capela de S. João Baptista, no termo da vila da Praia, e pedia que trasladassem os seus ossos (morreu em Aveiro) para a citada capela, onde lhe poriam uma lousa sepulcral com os seguintes dizeres: «Aqui jaz João Gonçalves Duraço de Barros, cavaleiro de Esporas douradas, que mandou fazer esta capela e deixou um morgado para a sustentar». Recomendava ainda a seu filho que regressasse à ilha Terceira, onde tinha parentes ricos e honrados. Este filho, Pedro Duraço de Barros tomou posse do morgado em 18.2.1555 e casou com Helena Teixeira. O casal residiu no Cabo da Praia onde baptizou um filho Jerónimo e, em 1570, uma filha chamada Maria, que não devem ter tido descendência, uma vez que o morgado da Casa da Ribeira transitou para a linha feminina. A filha de João Gonçalves Duraço de Barros e de sua mulher Catarina Varela chamou-se Custódia Varela e casou com seu primo Francisco da Rocha Carneiro de Barros. O casal teve um filho, Pedro Duraço de Barros (sobrinho), nascido em 1546, que casou em Lisboa, em 2.8.1576, com Francisca Pereira, de quem teve Francisco Pereira Carneiro que herdou o morgado da Casa da Ribeira por morte de seu tio-avô Pedro Duraço de Barros. Não parece pois seguro que Francisco Estácio fosse bisneto de Lançarote Gonçalves por linha varonil. Mas este último teve, pelo menos, duas filhas. Uma, Beatriz Gonçalves, casou com Afonso Homem da Costa e foram pais de João Homem da Costa, marido de Catarina Cardoso Evangelho, com descendência conhecida onde não se conta Francisco Estácio. A outra, cujo nome se ignora, foi 2.ª mulher de Gaspar de Barcelos e também não se encontra nenhum Francisco Estácio entre os seus descendentes conhecidos. É admissível que pudesse ter nascido uma terceira filha a Lançarote Gonçalves, da Casa da Ribeira, que viria a ser avó do Francisco Estácio eventual propagador deste apelido. Manuel Lamas
