Essex, conde de
[N. 1567 m. 1601] De seu nome Robert Devereux, 2.º conde de Essex, nasceu em 1567, percorrendo uma acidentada carreira dedicada às armas ao serviço da coroa de Inglaterra, notabilizando-se em várias missões contra os interesses espanhóis. Apesar de ter sido um dos favoritos de Isabel I acabaria por ser executado na Torre de Londres em 1601.
A figura do conde de Essex ganha projecção relativamente aos Açores em virtude do seu protagonismo como corsário ao serviço da Inglaterra isabelina no período conturbado da vida portuguesa sob domínio filipino. Não obstante a tradicionalidade das relações amistosas mantidas entre Portugal e a Inglaterra, a crise de 1580, dando lugar à transferência do trono português para Filipe II, faria dos inimigos de Espanha inimigos de Portugal. Neste contexto, os domínios portugueses designadamente as ilhas dos Açores tornam-se vulneráveis aos ataques do corso inglês. A valia estratégica do arquipélago açoriano, resultante da sua posição na confluência das rotas comerciais no regresso das Índias de Oriente e de Ocidente, nomeadamente das possessões espanholas da América, confere às ilhas particular importância para os depredadores dos mares. Na expressiva afirmação do Pe. Manuel Luís Maldonado, logo que chegava a Primavera «começava por todos estes mares, e Canais das Ilhas a laborar esta infernal canalha». Assim, os mares das ilhas açorianas serão cruzados pelos navios e esquadras dos mais célebres corsários ao serviço da coroa britânica, colocando-as sob permanente ameaça e causando-lhes, por vezes, danos consideráveis.
A incursão de Essex no arquipélago dos Açores, no ano de 1597, enquadra-se na última fase de corso isabelino que se prolonga até 1604, data em que as duas nações assinam a paz. Em qualquer caso resulta de circunstâncias fortuitas, já que o objectivo inicial da esquadra do conde era a Espanha. As condições de tempo acabariam por separar uma parte dos navios, incluindo o do próprio capitão da frota, impelindo-os para águas açorianas onde se demoraram em cruzeiro na espera de navios inimigos. A sua presença no arquipélago compreende vários episódios, designadamente um cruzeiro ao longo de S. Miguel e uma escala para refresco na ilha de S. Jorge, em Setembro de 1597, por um navio sob o comando do célebre corsário Walter Raleigh, tendo fundeado na baía da Horta a 29 do mesmo mês com idêntica finalidade. Na sequência de actos de hostilidade por parte das forças locais que se haviam preparado para resistir a qualquer ataque da frota de Raleigh, este acaba por ordenar um desembarque ao abrigo de artilharia. Apesar de alguma resistência das tropas instaladas no Faial, acaba por ocupar a vila da Horta saqueando moradias e templos e lançando o fogo a muitas casas e algumas igrejas da vila e das freguesias mais próximas. Todavia, o sucesso não foi bem acolhido por Essex o qual, chegando à Horta no dia seguinte, reprovaria a antecipação do ataque.
A esquadra do conde de Essex seria constituída por elevado número de navios, mas as fontes divergem muito quanto a isso, variando ainda consideravelmente o número das tropas envolvidas no desembarque no Faial. Uma vez em águas açorianas a esquadra fragmentou-se, provavelmente na execução de missões específicas que o conde lhes teria cometido. O certo é que, no afã do assalto à vila faialense, a frota da Índia acabaria por cruzar ao largo de S. Jorge, chegando ilesa a Angra e frustrando as intenções de Essex quanto ao seu apresamento. Ao chegar a Angra onde a frota se acolhera e descarregara a carga valiosa que transportava, Essex viu-se impotente para vencer a resistência da terra. Ricardo Madruga da Costa
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