Espínola

Da ilha Graciosa – Este ramo dos Spínola de Génova descende de António de Spínola,”o grande” (Bragaglia, 1994), filho de Micer Elliani de Spínola e de Madona Peretta Spínola, do ramo dos Spínola di Luccoli da cidade de Génova (Noronha, s.d.), onde eram a segunda família dos Nobili Bianchi, logo a seguir aos Doria, como protectores do banco de San Giorgio, e estavam divididos em dois ramos principais: o de Luccoli, e o de S. Luca, e contavam 24 lugares no Consiglio degli Anziani.

Seu pai, micer Elliani Spínola di Luccoli, era membro da Ratio fructae regni Granatae, importante companhia dos Spínola, que comprava fruta seca, passa de uva, figos e amêndoas aos agricultores muçulmanos do reino de Granada e se contava entre os maiores exportadores de fruta do Mediterrâneo (Boscolo, 1982: 13). Alguns dos poderosos Spínola, verdadeiros promotores do comércio em todo o Sul de Espanha, além da fruta ocupavam-se também do comércio de panos e tecidos, como Giovanni Francesco Spínola, residente em Málaga, e o próprio Elliani Spínola di Lucolli, que pertencia também a uma família ligada a Cristóvão Colombo (Boscolo, 1982: 8, 14), colaboravam estreitamente em Génova com António e Battista de Cassana.

António de Spínola foi mercador activo dentro do quadro dos negócios internacionais da família, que operava em ligação com as outras importantes e nobres dinastias de mercadores genoveses, Lomellini, Marchioni, Giraldi, Sernigi e Acciaiuoli, e tomou de arrendamento, juntamente com Estevão Eanes, em 1494-1495, as ilhas de S. Miguel, Santa Maria, Faial, Graciosa e S. Jorge, por 13.000 réis e certas obrigações, de que recebeu carta de quitação em 29.6.1499 (Costa, 1987: lxiii). Não parece que o arrendamento tenha incidido sobre a totalidade das ilhas, mas sim sobre a exclusividade de certos produtos, bens ou serviços.

Em 1513 foi-lhe passada carta de brasão de armas de Spínolas (pleno), idêntica à que foi passada ao seu irmão primogénito Lucano, mas diferençada por um estrela de Azul (Costa, 1987: cxxxvi). Casou, supõe-se, ainda em Génova, com Maria de Porta, e o casal teve, entre outros filhos, Pedro Spínola Doria (figura com este nome em processos da Comarca da Graciosa), fidalgo da Casa Real, que passou da Madeira à Graciosa na companhia (ou chamado) pelo seu tio bastardo Francisco Spínola, que já estivera nessa ilha, trazendo um galeão carregado de mercadorias, e lá casara bem com D. Leonor de Melo, viúva de Jorge Correia da Cunha.

Pedro Spínola também casou na Graciosa (vila da Praia) cerca de 1530, com Catarina da Veiga, filha de Diogo Martins Ferreira, que, de acordo com o manuscrito genealógico do tenente Francisco de Melo Ribeiro, era membro da casa de Nuno da Cunha, Governador da Índia. Antes de casar veio para a Graciosa acompanhado por Simão Ferreira, seu filho natural. Vendeu as mercadorias que trouxera e, com o produto, comprou terras, tendo ficado «muito rico e abundante» A mãe de Catarina da Veiga, Inês Pires da Veiga, era neta materna de Gil da Veiga e de sua mulher Violante Perestrelo, esta, filha de um filho ou sobrinho de Richarte Pallastrelo, prior de Santa Marinha, e irmão de Bartolomeu Perestrelo, capitão do Porto Santo. Gil da Veiga era filho de João da Veiga, O Moço, este, filho segundo de João (Esteves) da Veiga «muito honrado homem que os de Lisboa enviaram ás cortes de Coimbra pera levantarem por rei o Mestre de Aviz», e de sua mulher Inês Pires Valbom, instituidora de um morgado com a capela do Salvador, no mosteiro de S. Francisco de Lisboa, a qual tinha uma missa diária. Nesse morgado sucedeu Pedro Vaz da Veiga (AIN/TT: 256).

Aos 24 de Setembro de 1574, foi feito inventário dos bens de Pedro de Espínola, fidalgo da Casa de El-Rei e de sua mulher, a senhora Catarina da Veiga (assim são mencionados no documento) ambos já defuntos (Pimentel, 1987: 45-59), e nele são mencionados os seguintes filhos: Leão Espínola da Veiga, moço fidalgo da Casa Real por alvará de 22.12.1579, capitão-mor na ilha Graciosa, que casou com Guiomar Correia de Melo, filha de Afonso Correia de Melo e de sua mulher Isabel Pereira, com geração; Fabrício Espínola, capitão, que casou, também na Graciosa, com Violante Lopes de Quadros, com geração; Reinaldo Espínola, casado na mesma ilha com Maria Gomes de Araújo, com geração; Ana Espínola da Veiga, que casou primeiro com Afonso Diniz e segunda vez com Galaaz Viegas de Ataíde, com geração do segundo casamento; Jerónima Espínola, segunda mulher de André Gonçalves Neto, primeiro capitão-mor da vila da Praia da Graciosa, sem geração; e Paula Espínola da Veiga, que nasceu em Santa Cruz da Graciosa em 1536, mulher do capitão-mor Manuel Pires de Figueiroa, com geração actual. Manuel Lamas

Bibl. Arquivo e Instituto Nacional/Torre do Tombo (Lisboa), Livro dos Místicos de D. Afonso V, fl. 256. Boscolo, A. (1982), Gli insediamenti genovesi nel sud della Spagna, In Boscolo, A. e Giunta, F. (eds.), Saggi sull’Etá Colombiana. Milão, Ed. Cisalpina-Goliardica. Bragaglia, P. (1994), Lucas e os Cacenas Mercadores e Navegadores de Génova na Terceira, (sécs. XV-XVI). Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura. Costa, J. (ed.) (1987), Livro das Ilhas. Lisboa, Secretaria Regional da Educação e Cultura: lxiij. Noronha, H. H. (s.d.), Nobiliário da ilha da Madeira. S.l., Revista Genealógica Brasileira, II: 245 [tit. Spínolas- Adorno, n.º I]. Pimentel, L. C. (1987), Um inventário do século XVI. Boletim do Museu Etnográfico da Graciosa, II: 45-59.