espadana

Planta cujas folhas semelham a de uma espada, é também conhecida por “piteira” nas Flores; “imbira”, “filaça”, e “rabo-de-cavalo”, no Faial; “carriola”, “adrago”, ou adrague e “erva-rija”, no Pico; “carriola”, em S. Jorge; “piteira”, na Graciosa; “filaça”, na Terceira; e “amarradeira”, “atadeira”, “tabúa” e “linho-da-Nova-Zelândia”, em S. Miguel (Costa, 1956; Serpa, 1987: 106). Segundo Serpa (1987: 106), de todos os termos regionais é “espadana” o que bate o recorde sinonímico. Luís M. Arruda

História Natural Nome regional da espécie botânica Phormium tenax (Agaváceas). Planta vivaz, acaule, com longas folhas persistentes, fibrosas, a formar roseta densa. No Verão, emite um caule florífero (escapo ou hástea) robusto e erecto, ramificado em ampla panícula de flores tubulosas, amarelas, com grande valor ornamental. Ilídio Botelho Gonçalves

História Em 1828, Francisco Soeiro Lopes de Amorim plantou, em São Miguel, uma porção desta espécie, a que chamava linho-da-Nova-Zelândia. Durante vários anos apenas conseguiu que ela servisse para amarração de vinhas e toscas cordoarias para a lavoura, de onde lhe veio o nome de amarradeira. Mas por volta de 1848, por influência de António Feliciano de *Castilho, a Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense dedicou uma atenção especial a esta produção, publicando vários artigos no seu jornal o *Agricultor Micaelense. Nas páginas deste periódico surgiram testemunhos de Lopes de Amorim e de Sebastião de *Arriaga, explicando o processo para se conseguir a extracção da fibra de espadana. Uns anos mais tarde, o jornal O Cultivador, também de Ponta Delgada, voltou a insistir na importância desta planta para fins industriais. Assim, se foi iniciando a plantação em áreas cada vez maiores, destacando-se o conde Jácome Correia, que exportou grandes quantidades para Inglaterra. Em 1880, numa iniciativa conjunta com José Bensaúde, adquiriu a primeira máquina de desfibração. Nos finais do século XIX, a exploração com fins industriais era já uma realidade. Era uma cultura que ocupava terrenos não adequados a cereais, sendo produzida por grandes e médios proprietários que aproveitavam uma boa parte dos seus terrenos maninhos. Em 1917, o maior cultivador era Gustavo de Medeiros, com 300 alqueires plantados, tendo acrescentado mais 600 entre 1922-1924; os herdeiros de Joaquim Clemente da Costa tinham 500 alqueires plantados, em 1926, e a casa Jácome Correia, cerca de 300. Em 1928, havia em São Miguel cerca de 3.700 alqueires plantados de espadana. No final da década de 20, a produção anual de fibra aproximava-se das 450 toneladas, que forneciam seis fábricas micaelenses. Na Terceira a produção foi sempre pouco significativa, mas no Pico, foi fundada, em 1929, a Sociedade Produtora de Espada, L.da. Foi de facto só em São Miguel que a espadana assumiu alguma importância económica, com operações destinadas à transformação da folha em fibra e estopa. As folhas eram desfiadas à máquina e postas de molho durante 24 ou 48 horas; de seguida, eram secas em estendedores para se proceder à limpeza; passavam para uma limpadeira mecânica, fazendo-se a selecção em fibra e estopa, que era trabalhada nos sedeiros. A produção desta indústria destinava-se à exportação. Contudo, as exportações estavam sujeitas à concorrência do sisal, às necessidades dos países importadores e às cotações no mercado internacional. A exportação era canalizada, na maior parte, para alguns países europeus e para os Estados Unidos. A irregularidade das necessidades do mercado provocou instabilidade nesta indústria micaelense e levou ao encerramento temporário de algumas fábricas, mas os lucros de exploração eram compensadores, devido à mão-de-obra barata e à utilização de quedas de água como força motriz. Durante a I Guerra Mundial, o declínio da exportação acentuou-se devido à falta de transporte e uma firma americana que explorava a espadana nos terrenos do marquês Jácome Correia abandonou a produção. Ao longo da década de 20 houve uma recuperação da actividade. De 1924 a 1927 exportaram-se 657 toneladas, no valor de 175 contos, sendo a Inglaterra o principal destino. Mas após a crise de 1929 voltou a declinar, sofrendo várias oscilações na década de 30. A concorrência do sisal acabou por contribuir para o fim desta indústria pouco depois da II Guerra Mundial.

É cultivada em jardins como planta ornamental, nomeadamente a variedade com folhas listadas de amarelo-dourado. [Ver Agaváceas] Carlos Enes

Bibl. Brito, R. (1952), A ilha de São Miguel – Estudo Geográfico. Lisboa, Instituto de Alta Cultura/Centro de Estudos Geográficos. Costa, C. (1950), A espadana em S. Miguel. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 12: 117-118. Id. (1956), A espadana (Phormium tenax, Forst) na ilha de S. Miguel. Ibidem, 23: 141-145. Id.(1962), As primeiras espadanas em S. Miguel. Ibidem, 33/36: 137-138.Castro, J. C. (1930) “A indústria da desfibração de espadana (Phormium Tenax) na Ilha de São Miguel”. Boletim do Trabalho Industrial. Lisboa, Imprensa Nacional, 146. Enes, C. (1994), A economia açoriana entre as duas guerras mundiais. Lisboa, Edições Salamandra. Serpa, F. T. (1941), Subsídio para o estudo da cultura e tecnologia do Phormium Tenax Forst, na ilha de São Miguel. Relatório final de licenciatura no Instituto Superior de Agronomia, Lisboa, mimeografado. Serpa, J. M. (1987), A Fala das Nossas Gentes. Ponta Delgada, Signo.