escutismo
A palavra continua a escrever-se de duas formas, apesar de, em 1945, o Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro ter determinado que em Portugal se usaria o termo escuteiro e no Brasil escoteiro. Contudo, os elementos da Associação de Escoteiros de Portugal (AEP) preferem ser designados como escoteiros.
O escutismo foi fundado por Baden Powell, após uma experiência vivida em África. Regressado a Inglaterra, iniciou o seu método educativo com alguns jovens, em 1907. Dois anos depois, publicou o livro Scouting for boys que se tornou uma das publicações mais vendidas na época. A partir de então, a prática do escutismo expandiu-se por todo o lado, beneficiando da cooperação que prestou nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 1912. Como movimento independente de questões religiosos e políticas, tem como objectivo educar os jovens para os grandes ideais da solidariedade, incorporando a disciplina e o exercício físico.
Em Portugal, o primeiro grupo que se fundou foi em Macau, em 1911, mas extinguiu-se no ano seguinte. No continente, em 1913, ocorreu um encontro com escuteiros ingleses em Lisboa, tendo-se formado a AEP. Após algumas divergências no movimento, a maior divisão ocorreu com a criação do Corpo Nacional de Escutas (CNE), fundado pela Igreja Católica. Por iniciativa do arcebispo primaz de Braga, o movimento desenvolveu-se, com o reconhecimento de Baden Powell, enquadrado pela seguinte legislação: Portaria 3.824 do Ministério do Interior, 26 de Novembro de 1923; Dec. 9.729, 26 de Maio de 1924, e pelo Dec. 10.529, do ano seguinte. Apoiado na estrutura da Igreja Católica, acabou por se impor reduzindo a influência da AEP. A grande diferença entre as duas associações reside no facto de a AEP admitir jovens de todas as religiões.
Nos Açores, o escutismo deu os seus primeiros passos nos anos 20. Em Agosto de 1925, criou-se a cúpula do CNE, formando-se uma Junta Regional dirigida pelo tenente Aniceto dos Santos, pe. dr. Manuel de Medeiros Guerreiro e Diocleciano Maria da Silva. Foi oficializada pela ordem de serviço nacional n.º 6, de 15 de Maio de 1926, sediada em Angra do Heroísmo. Nesta cidade, as primeiras motivações partiram do professor do liceu, Braga Paixão, tendo a Juventude Católica avançado com a criação de um grupo denominado Ciprião de Figueiredo. Dinamizado pelo pe. José Silveira d*Ávila, deu os seus primeiros passos em 1929, promovendo acampamentos nos anos seguintes. Pela mesma altura, a AEP também se organizou em Angra (Grupo 52). Em 1933, foi nomeado presidente da Comissão de Patrocínio João dÁvila, a que se seguiu José do Couto de Sousa. Realizou o primeiro acampamento em 1935 e explorou pela primeira vez a gruta do *Algar do Carvão, cuja proeza coube a Guilherme Ramalho.
Em Ponta Delgada, fundou-se em 1928, o Grupo 80, da AEP, por iniciativa de Francisco Pimentel Rebelo Bicudo. Conseguiu que se deslocassem a S. Miguel dois elementos da direcção nacional que forneceram as primeiras instruções. Alice Bicudo foi também uma entusiasta do movimento, tendo patrocinado a ida de um jovem a Inglaterra. O primeiro juramento realizou-se a 23 de Abril de 1929, com a participação de cadetes, juniores e seniores. A AEP teve como seu primeiro comissário regional o capitão Inácio Gaspar Teixeira a que se seguiu António Augusto Riley da Mota. Posteriormente, fundaram-se outros grupos ligados à AEP, que contava com 10 grupos nesta ilha, em 1997. O CNE surgiu em 1934, nos Fenais da Luz, a que se seguiram outros grupos com vida efémera, até aos anos 60. A partir de então, o CNE cresceu significativamente por toda a ilha.
No Faial, o primeiro grupo terá surgido em 1933, ligado à AEP, para se extinguir pouco depois. Ressurgiu em 1952, com a designação de Grupo 45. O escutismo católico só surgiu no início da década de 60, nas Angústias, tendo se depois expandido por toda a ilha.
Nas restantes ilhas, o escutismo terá nascido mais tarde. Em Santa Maria, por exemplo, só em 1973 se criou o Grupo 394 do Aeroporto.
Se no presente existem agrupamentos em todas elas, o movimento só se consolidou e expandiu a partir dos anos 70, com predomínio do CNE. Em 1998, incorporava cerca de 60 grupos, que agregavam mais de 5.500 elementos. Está estruturado em torno de uma Junta Regional, com 8 Núcleos na região, excepto no Corvo. A AEP só mantém alguma actividade em S. Miguel e um agrupamento no Corvo.
As Guias de Portugal, associação criada em 1934 (Portaria 7.831, 28 de Maio de 1934), também existe nos Açores mas com pouca expressão. Criada para ministrar a educação moral, intelectual e física do sexo feminino nunca teve grande adesão e esvaziou-se com a criação de grupos mistos no seio do CNE. Terá sido na Terceira que surgiu em 1973, o primeiro agrupamento misto.
Para além dos acampamentos, os escutas realizam também encontros internacionais, os chamados Jamboree. O primeiro ocorreu na Terceira em 1956, mas não manteve a periodicidade prevista de 4 anos. Circulando por várias ilhas, em 1997, já se realizava o IX Jamboree. Paralelamente promovem-se também encontros de dirigentes (Indaba Regional), tendo o primeiro ocorrido em 1991.
Para reforçar a sua ligação à comunidade, os escuteiros estabeleceram um protocolo com o Serviço Regional de Protecção Civil, colaborando na prestação de serviços vários. Em 1983 o CNE foi declarado Instituição de Utilidade Pública e em 1992 foi condecorado com a medalha de Mérito. Por seu turno, o Grupo 80 da AEP recebeu, em 1988, a Lis de Prata.
A imprensa açoriana tem dedicado algum espaço ao movimento escutista, publicando páginas especiais ou suplementos: A União, Angra, com o título Alerta O Dever, Pico, com o título Sinal de Pista; Açores, Ponta Delgada, Escutismo em Marcha; na Horta foi publicado o jornal Actividade (1953-55), como órgão dos escoteiros da AEP. O padroeiro internacional dos escutas é S. Jorge e o patrono do CNE é Nuno Álvares Pereira. Carlos Enes
Bib: Os Açores, revista ilustrada (1928), Ponta Delgada, 12, Dezembro. Açoriano Oriental (1995), Ponta Delgada, 14 de Agosto. Id. (1997), 4 de Março, 6 de Novembro, 27 de Dezembro. Id. (1998), 24 de Fevereiro, 27 de Maio. Actividade (1953-55), Horta. O Baluarte (1997), Santa Maria, Julho. Id. (1998), Outubro. Correio dos Açores (1929), Ponta Delgada, 25 de Abril. Id. (1995), 13 de Agosto. Id. (1997), 9 de Abril, 9 de Setembro. Jornal de Angra (1936), Angra do Heroísmo, 22 de Abril, 25 de Abril. A Pátria (1933), Angra do Heroísmo, 26 de Novembro. Portugal, Madeira e Açores (1931), Lisboa, 23 de Junho. Telégrafo (1996), Horta, 24 de Abril. Id. (1997), 24 de Julho. Id. (1998), 27 de Maio. A União (1930), Angra do Heroísmo, 6 de Março. Id. (1932), 1 de Junho. Id. (1936), 28 de Julho. Id. (1997), 3 de Janeiro. Id. (1998), 24 de Outubro.
