Escudeiro, D. Aurélio Granada

 [N. Alcains (Castelo Branco), 29.5.1920] 37.º Bispo de Angra.

Estudou nos seminários de Gavião, Alcains e Olivais sendo ordenado presbítero a 17 de Janeiro de 1943, em Portalegre. Foi pároco em Gavião, Ortiga e Mação entre 1943 e 1948 e de seguida professor de Religião e Moral no liceu de Castelo Branco, de 1948 a 1952, mas distinguiu-se acima de tudo na Acção Católica, como assistente nacional, viajando nessa época por todo o território nacional, nomeadamente pelos Açores. Foi também redactor principal do seminário Reconquista. Dirigiu a nível nacional as Obras Católicas Portuguesas para as Migrações e nessa condição participou em congressos e outras reuniões internacionais na Europa, nos Estados Unidos e Canadá.

Eleito bispo titular de Drusiliana e coadjutor de Angra a 18.3.1974, foi sagrado em Alcains, a 26.5.1974, e entrou na sede episcopal de Angra a 19 de Junho. Como coadjutor aprovou o Estatuto do Conselho Presbiteral, com o Secretariado Regional para a Pastoral das Migrações (5.2.1975) e a Comissão Diocesana para a Comunicação Social (22.4.1976). Quando da descolonização e consequente retorno dos desalojados das colónias criou nova Comissão Diocesana de Ajuda aos Refugiados.

Foi um incansável viajante para participar nas reuniões do Episcopado Português e para visitar as comunidades emigrantes açorianas na América e Canadá, sendo vogal da Comissão Episcopal Portuguesa para as Migrações e Turismo. Em 1979, a 30 de Junho, após o falecimento do seu antecessor D. Manuel Afonso de *Carvalho, foi nomeado bispo residente de Angra.

O seu episcopado foi marcado por dois graves e agitados períodos. O primeiro quando dos acontecimentos políticos que se seguiram à revolução de 25 de Abril e que provocaram nos Açores um clima de insurreição, em 1975. Alguns sacerdotes haviam participado activamente na política esquerdista da revolução e sendo pedida publicamente a sua saída da diocese, no seguimento desta insurreição, o bispo acedeu e fê-los abandonar a diocese. O segundo devido ao sismo de 1980 que arruinou e destruiu a maior parte das igrejas da ilha Terceira e muitas de S. Jorge e Graciosa, destruindo a própria catedral. Foi D. Aurélio incansável na angariação de meios para a reconstrução desse património, levando a bom porto, com a colaboração do Governo Regional, tal desígnio.

Criou várias paróquias, nomeadamente Algarvia, em S. Miguel e Santa Luzia e Santa Rita, na ilha Terceira. Procedeu ao lançamento da primeira pedra do Mosteiro das Clarissas, na Calheta, em S. Miguel, em 1976. Foi, também, um grande entusiasta do culto do Senhor Santo Cristo dos Milagres, empenhando-se vivamente no esplendor das cerimónias religiosas principalmente na procissão. Em 1987, ano especial mariano, elevou à dignidade de Santuário Mariano a igreja paroquial da Conceição de Angra do Heroísmo.

Em 1996 passou a bispo emérito da diocese de Angra, afastando-se para a sua terra natal, depois de ter presidido à ordenação na sé a 30 de Junho desse ano do seu sucessor, D. António de Sousa *Braga, mas tem visitado frequentemente os Açores. J. G. Reis Leite

Bibl. Mota, Valdemar (1981), Santa Sé do Salvador, igreja catedral dos Açores. Angra do Heroísmo, Edição do autor: 249-253