escarpa de falha

Vertente íngreme e regular, de origem tectónica, como resultado directo do deslocamento da topografia pela movimentação de uma falha que rompeu até à superfície no decurso de um sismo, ou da acumulação de vários deslocamentos por efeito de sismos sucessivos ao longo do tempo.

A dimensão e longevidade de uma escarpa de falha dependem de vários factores, entre os quais a natureza dos materiais geológicos superficiais atravessados, a frequência e magnitude das rupturas superficiais na falha e a ocorrência ou ausência de vulcanismo ao longo do acidente tectónico.

Frequentemente as escarpas de falha encontram-se retocadas pela erosão, não correspondendo à forma original, que apenas subsiste durante um período de tempo relativamente curto após a ocorrência do evento sísmico que originou a rotura. Se a forma topográfica apresentar já um rebaixamento ou adoçamento erosivo significativo toma a designação de escarpa recuada. Nestes casos o traço superficial da falha que a gerou pode não se encontrar no sopé da escarpa. Após o arrrasamento, por erosão, de uma escarpa de falha, pode formar-se outra escarpa no mesmo local devido a erosão diferencial entre rochas de diferentes durezas localizadas em cada um dos blocos tectónicos, chamando-se-lhe, neste caso, escarpa de linha de falha.

Nos Açores a intensidade e frequência da actividade tectónica originou numerosas escarpas de falha. As mais espectaculares encontram-se nas ilhas do Faial e Terceira, onde aquelas formas apresentam morfologia muito fresca e bem desenvolvida devido a actividade repetida em várias falhas activas que cruzam as duas ilhas. É o caso das escarpas de falha do Graben de Pedro Miguel, no Faial, constituído por sete grandes escarpas ou “lombas”, dispostas em escadaria, quatro a norte e três a sul da povoação de Pedro Miguel. A escarpa mais impressionante deste conjunto é a da Lomba Grande que atinge localmente desníveis de quase 200 m. Na Terceira, a estrutura tectónica mais notável é o graben das Lajes, formado por duas grandes escarpas de falha nos bordos da depressão tectónica e por várias, menores, no seu interior. As falhas principais são a Falha das Lajes, que originou a escarpa do lado ocidental da Serra de Santiago, e o a Falha das Fontinhas, que formou o escarpado que passa pela povoação com aquele nome. Estas duas falhas romperam até à superfície durante os dois grandes sismos históricos que afectaram a ilha Terceira: os terramotos de 24 de Maio de 1614 e 15 de Junho de 1841. Nas restantes ilhas existem também numerosas escarpas de falha, não apresentando, contudo, expressão tão desenvolvida como as referidas. Ver falha. José Madeira