erva-úrsula

Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Lamiáceas pertencentes à espécie Thymus caespititius (Palhinha, 1966) também designadas nalgumas localidades da ilha de S. Miguel por atemil. Ver atemil 1.

Segundo Franco (1984), é um caméfito sublenhoso com caules longamente prostrados produzindo ramos floríferos com 2-7 cm, erectos e tufos axilares de pequenas folhas, folhas com 4-8 x 0,5-1,2 mm, linear espatuladas, glabras mas ciliadas na base; capítulo frouxo, com verticilastros 2-floros; brácteas semelhantes às folhas; cálice com 3-4 mm, de dentes superiores quase obsoletos, não ciliados, os inferiores planos, tão compridos como largos; corola com 5-6 mm, rosa-purpurascente ou esbranquiçada.

Registada para os Açores por Seubert e Hochstetter (1843), ocorre em todo o arquipélago, até aos pontos mais altos. Segundo Sjögren (2001), é uma das poucas plantas da flora açoriana com uma amplitude altimétrica que vai desde a costa até às mais elevadas altitudes do Pico. Desenvolve-se nas correntes de lava ásperas, principalmente nas partes mais secas e salientes entre as fendas. Frequentemente em depósitos soltos de escórias e cinzas vulcânicas. Sobrevive em habitats fortemente protegidos apenas como uma relíquia em que estes habitats eram mais expostos. Nesse sentido T. caespititius serve como indicador da evolução recente da população.

Considerada medicinal, é usada como anti-séptica e expectorante (tosse, bronquite e asma); carminativa; hemostática (epistaxe); anti-inflamatória (reumatismo e artrite); tónica (pele e seios flácidos). Na utilização interna: 20 grs./l de água em decocção seguida de 10 minutos de infusão. Para utilização externa: para dores articulares – 50 grs./l de água em infusão (colocar compressas mornas sobre as articulações); como tónica – 50 grs./l em decocção durante 20 minutos (colocar compressas frias sobre a pele ou seios); como hemostática – 30 grs./l de água em decocção durante 3 minutos (embeber um algodão e introduzir na narina que sangra) (Corsépius, 1997). Luís M. Arruda

Bibl. Corsépius, Y. (1997), Algumas plantas medicinais dos Açores. 2.ª ed., s.l., s.e. Franco, A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. II: Clethraceae-Compositae. Lisboa, Sociedade Astória. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Seubert, M. e Hochstetter, C. (1843), Uebersicht der Flora der azorischen Inseln. Archiv für Naturgeschichte, 9, 1: 1-24. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores, s.l., ed. do autor.