erva-malagueta

Nome vulgar atribuído às algas vermelhas dos géneros Osmundea e Laurencia, comuns na zona das marés do litoral rochoso dos Açores. Estas algas distribuem-se por toda a zona das marés, formando largas extensões monoespecíficas em alguns locais. Normalmente, porém, associam-se a outras espécies e formam espessos musgos que revestem as rochas do limite superior do andar infralitoral. Possuem talos cartilaginosos, muito ramificados, com os ramos normalmente dispostos em vários planos. Possuem várias tonalidades que vão desde o verde-alface em Laurencia viridis Gil-Rodriguez et Haroun até ao castanho-escuro em Osmundea pinnatifida (Hudson) Stackhouse. L. viridis é a espécie que exibe maiores dimensões, podendo atingir 20 cm de comprimento total. Esta situação é comum nos ilhéus das Formigas onde as plantas desta espécie formam extensos tapetes luxuriantes na transição entre a zona das marés e a zona submersa adjacente. O. pinnatifida e Laurencia obtusa (Hudson) J. V. Lamouroux, por outro lado, são muito comum em musgos, quer como espécies de suporte, quer crescendo como epífitas sobre outras algas. Em qualquer dessas situações, as plantas normalmente não ultrapassam os 4-5 cm de comprimento total e exibem algumas vezes eixos de crescimento prostrado. Esta é uma situação comum em praticamente todas as ilhas do arquipélago em zonas onde o recife rochoso se estende até ao mar. Estas espécies estão ausentes nas praias de calhau rolado e em zonas onde é grande a influência de areia.

Em algumas ilhas do arquipélago, estas algas são curtidas em vinagre e consumidas a acompanhar peixe frito. São ainda e pontualmente consumidas frescas à laia de petisco. Nas ilhas do Pico e Faial O. pinnatifida é designada também por “erva-salameira” e após triturada, é usada para engodo na pesca das salemas. Ana Isabel Neto