erva-das-escaldadelas
Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Escrofulariáceas pertencentes à espécie Scrophularia auriculata, segundo Palhinha (1966). Pereira (1953) refere erva-das-escaldaduras como sendo S. scorodonia (cf. S. scorodonis).
S. auriculata é um caméfito herbáceo de 50-100 cm, glabro (var. glabrata) ou mais ou menos pubescente (var. auriculata); caule 4-angular, distalmente agudo-costado e para a base obtusamente costado-sulcado; folhas com 5-12(-25) cm, sem ou com 1 (raramente mais) par de pequenos segmentos na base (auriculado-3-sectas), ovadas a elípticas, crenadas, as proximais obtusas e as distais subagudas, todas truncadas a subcordadas na base; brácteas na maioria lineares, não foliáceas; pedicelos até 2 x os cálices, glandulosos; lobos do cálice orbiculo-ovados, serrados, glabros, de margem largamente escariosa; corola com (5-)7-9 mm, esverdeada com o lábio superior castanho-purpurascente; estaminódio mais ou menos orbicular, subemarginado; cápsula com 4-6 mm, subglobosa, obtusa, apiculada. A variedade glabrata ocorre nas Flores e no Faial e a variedade auriculata em S. Miguel, ambas em sítios húmidos (Franco, 1984).
S. scorodonia é um caméfito herbáceo de 25-100(-150) cm, mais ou menos pubescente; folhas até 10 x 5 cm, ovadas a lanceoladas, obtusas a agudas cordadas, duplamente crenado-serradas; brácteas na maioria foliáceas; pedicelos 3-7 x os cálices, pubescente-glandulosos; lobos do cálice com 3-5 mm, orbiculares, mais ou menos puberulentos, de margem largamente escariosa; corola com 8-12 mm, púrpura-baça; estaminódio suborbicular; cápsula com 5-8 mm, globoso-ovóide, subobtusa. Em sítios frescos e sombrios e em entulhos, nas ilhas do Pico, S. Jorge, Terceira, S. Miguel e Santa Maria ocorre a subsp. scorodonia (caracterizada por cimeiras laterais 2-5 floras; pedicelo frutífero terminal de cada cimeira 3-4 x o cálice, este com 3-4 mm) (Franco, 1984).
Considerada planta medicinal, as flores secas, as folhas e os rizomas frescos são usados como purgante e cicatrizante (hemorróidas externas). Para uso interno: 30 grs. de flores ou folhas ou 45 grs. de rizoma por litro de água em infusão. Para uso externo: cataplasma das folhas amachucadas (Corsépius, 1997). Luís M. Arruda
Bibl. Corsépius, Y. (1997), Algumas plantas medicinais dos Açores. 2.ª ed., s.l., s.e. Franco, A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. II: Clethraceae-Compositae. Lisboa, Sociedade Astória. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Pereira, S. A. (1953), Principais plantas cultivadas e espontâneas nos Açores. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 18: 1-32.
