erva-da-casta
Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Leguminosas pertencentes à espécie Ornithopus sativus, subsp. sativus, também conhecida por serradela (Azevedo, 1949; Palhinha, 1966).
Segundo Franco (1971), é um terófito de caules com 20-70 cm, pubescentes; folhas com 9-10 pares de folíolos lanceolados, elípticos ou ovados; inflorescências 2-5-floras; brácteas com 5-9 folíolos; dentes do cálice de um pouco menores a subiguais ao tubo; corola com 6-9 mm. Subsp. sativus de lomento com 12-25 mm, recto; rostro geralmente não excedendo 5 mm, recto, por vezes gancheado no ápice.
Ocorre na Terceira e em S. Jorge (Palhinha, 1966) e também no Corvo e nas Flores (Franco, 1971), em sítios secos, arenosos, frequentemente ácidos, ou como ruderal.
Em cultura, à mistura com aveia e fava, era muito usada como outono e na alimentação do gado, nomeadamente no Faial, na Terceira e em S. Miguel. Geralmente precedia a cultura do milho.
A lavoura era feita em Outubro e a sementeira à rasa, na proporção de 4,5 kg por alqueire de terra. Em Novembro ou Dezembro era despontada usando vacas. A adubação, se necessária, era feita na altura da desponta, usando 20 a 50 kg de super-fosfato (a 16% ou a 18%) por alqueire de terra. A erva era comida em Março ou em Abril, consoante o seu desenvolvimento e a altitude. Geralmente, um alqueire de terra dava «comida» para uma cabeça de gado vacum durante três semanas a um mês (Azevedo, 1949).
Para obtenção de grão, a sementeira era feita ou à rasa ou em linhas distanciadas, aproximadamente, de 40 cm. Nesta situação a produtividade é cerca do dobro daquela (aproximadamente 140 kg por alqueire de terra). A erva depois de ceifada era malhada e a semente recolhida (Azevedo, 1949). Luís M. Arruda
Bibl. Azevedo, O. (1949), Prados da ilha Terceira. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 10: 63. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente & Açores). Lisboa, Sociedade Astoria, 1. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves.
