emprego

Na segunda metade do século XX, a economia açoriana evidencia mudanças muito significativas, sendo o emprego um dos indicadores que mais claramente as reflecte.

Entre 1960 e 2000, o sector primário passa de 60 para 16% do emprego, o secundário de 17 para 27% e o terciário de 23 para 57% (ver Quadro I).

A tendência para a redução do peso do sector primário ainda persistia em 2000, da mesma forma que o peso do sector terciário tendia a aumentar (Fortuna, 2002).

Nas duas últimas décadas do século XX, as taxas de desemprego nos Açores nunca atingiram valores preocupantes e estiveram quase sempre situadas a níveis melhores do que a média do país. Este panorama desenrola-se num cenário de crescimento contínuo da população activa e da população empregada na Região, conforme o Quadro II.

A par de uma tendência crescente do emprego, regista-se uma tendência decrescente do número de desempregados e da respectiva taxa. A taxa de actividade, por seu turno, sobe, ligeiramente, de 40% em 1995 para 41% em 2000 (Quadro III).

A taxa de actividade nos Açores revela-se substancialmente mais baixa do que a taxa correspondente no Continente e na Madeira, (Quadro III). O valor de 41% é decomposto pela taxa masculina de cerca de 55% e a feminina de 28%. Com efeito, em 2000, a taxa média para a Madeira é de 45,6%, repartida 53% para homens e 39% para mulheres. Para o país a taxa global é de cerca de 51%, sendo a masculina de cerca de 58% e a feminina de cerca de 45%. Os valores mais baixos registam-se no caso das mulheres que, nos Açores, participam muito menos no mercado de trabalho.

As taxas de actividade são mais baixas nas regiões insulares, constituindo um provável indício de um maior peso de actividades de subsistência que não são, habitualmente, consideradas nas variáveis económicas. A diferença no caso dos Açores é bastante mais acentuada.

Estas diferenças no emprego explicam, pelo menos parcialmente, as diferenças de rendimento per capita. Com menos elementos de cada agregado a participar no mercado de trabalho verifica-se, quase obrigatoriamente, menos rendimento.

Um aumento da taxa de actividade de 41,1% para 50% implicaria um aumento de cerca de 20% do número de activos. Se pressupusermos o mesmo nível de produtividade e a mesma taxa de desemprego, isto representaria um acréscimo de cerca de 20% na geração de riqueza, o que elevaria o PIB per capita para 9 mil euros, um nível mais próximo dos 10,8 nacionais (83%). Com a taxa de actividade nacional estaríamos já nos cerca de 10 mil euros per capita. Mário Fortuna (Jan.2003)

Bibl. Fortuna, M. (2002). Traços da Economia Açoriana para o Virar do Século XX. In Actas do Colóquio Economia Açoriana e História Económica e Empresarial. Ponta Delgada. Centro de Estudos e Documentação da História do BES.

 

Quadro I

 

Distribuição Sectorial do Emprego nos Açores  - 1960/2000

                                                                                                                                     (%)

SECTORES

1960

1970

1981

1990

1995

1998

2000

PRIMÁRIO

60,0

49,8

31,5

23,1

20,4

17,6

16,2

SECUNDÁRIO

16,7

17,2

25,2

25,3

22,6

25,0

26,6

TERCIÁRIO

23,3

32,0

43,3

51,6

57,0

57,4

57,2

              Fonte: SREA

 

Quadro II

Mercado de Trabalho dos Açores

 

1995

1996

1997

1998

1999

2000

População Activa

94.372

95.019

96.666

99.831

99.910

101.494

População Empregada

86.930

89.017

91.163

95.819

96.634

98.486

População Desempregada

7.455

5.986

5.123

3.993

3.276

3.008

Taxa de Actividade

40,0%

40,0%

40,1%

40,3%

40,7%

41,1%

Taxa de Desemprego

7,9%

6,3%

5,3%

4,0%

3,3%

3,0%

 

Quadro III

Taxas de Actividade Comparadas - 2000

 

 

Açores

Madeira

Continente

Taxa de Actividade

41,1

45,6

51

Homens

55

53

58

Mulheres

28

39

45