elaterídeos

Insectos coleópteros incluídos na superfamília dos Elateroidea (Lawrence & Newton, 1995). Os indivíduos deste grupo são normalmente de dimensões pequenas a médias, podendo contudo, algumas espécies das regiões tropicais atingir mais de 60 mm de comprimento (e.g., Tetralobus spp e Alaus spp). A coloração destes insectos é normalmente acastanhada, mais ou menos escura, pese embora possam ocorrer espécies com cores iridiscentes e com manchas vermelhas ou amareladas. O corpo apresenta-se ou quase glabro ou coberto por uma certa pubescência deitada. Os elaterídeos têm dietas muito variadas, alimentando-se de diversas partes ou produtos das plantas e fungos (e.g., fruta em decomposição, néctar, pólen, exsudados, cogumelos, etc.), podendo também algumas espécies ser predadoras. Estes coleópteros podem ter hábitos diurnos, crepusculares ou nocturnos, sendo as espécies dos dois últimos grupos frequentemente atraídas às luzes artificiais. Os elaterídeos podem ser encontrados no solo, sob a casca das árvores ou sobre diferentes partes das plantas (caules, folhas, flores ou frutos). Os adultos depositam os ovos nos locais onde vivem e o desenvolvimento das larvas pode ser bastante longo (alguns anos). O corpo tem uma forma alongada muito característica, achatado dorso-ventralmente e com o protórax desproporcionado em relação à cabeça e abdómen. Estes coleópteros são também vulgarmente conhecidos por “click beetles” em virtude de produzirem um som característico quando são perturbados. Este som tem origem num movimento rápido produzido pelo desbloqueio dum processo prosternal intercoxal que está preso a uma cavidade mesosternal. Este processo ao ser desbloqueado, catapulta o insecto para o ar acompanhado daquele ruído. As larvas são vulgarmente conhecidas pela designação de “alfinetes” em virtude da forma do seu corpo, podendo por vezes provocar prejuízos nas culturas. Os representantes da tribo Pyrophorini são bioluminescentes, possuindo os adultos um par de órgãos luminosos no tórax, além de um outro na base do abdómen que é apenas visível quando os insectos voam. À semelhança dos coleópteros lampirídeos, a produção de luz está conotada com a atracção do parceiro sexual. A cabeça é quase sempre prognata e bastante recolhida dentro do protórax. A armadura bucal cinge-se ao tipo triturador ou mastigador e as antenas podem ser filiformes, serradas ou pectinadas. Nestas estruturas podem ocorrer dimorfismos sexuais profundos. Os tarsos possuem todos 5 artículos, sendo muito variável a sua forma. Para uma descrição pormenorizada das várias componentes estruturais do corpo dos elaterídeos aconselhamos a consulta de Leseigneur (1972), Platia (1994) e Johnson (2000).

Esta família de coleópteros é uma das mais diversificadas desta ordem, sendo conhecidas mais de 10.000 espécies a nível mundial (Johnson, 2000). Nos Açores ocorrem 8 espécies, sendo um género (Alestrus) e três espécies endémicas [Heteroderes azoricus Tarnier, H. melliculus moreleti Tarnier e A. dolosus (Crotch)]. Algumas espécies são relativamente comuns [Melanotus dichrous Erichson e Athous obsoletus (Illiger)]. Para mais dados sobre a distribuição e biogeografia destes coleópteros nos Açores aconselhamos a consulta de Borges (1990, 1992). Artur Serrano (2003)

Bibl. Borges, P. A. V. (1990), A Checklist of the Coleoptera from the Azores with some Systematic and Biogeographic comments. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 42 (220): 87-136. Id. (1992). Biogeography of the Azorean Coleoptera. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 44 (237): 5-76. Johnson, P. J. (2000). Elateridae, ch. 58. In “American Beetles. Polyphaga: Scarabaeoidea through Curculionoidea”. R. H. Arnett, Jr., M. C. Thomas, P. E. Skelley & J. H. Frank Eds, CRC Press, Boca Raton, 2: 160-173. Lawrence, J. F. & Newton, A. F. (1995), Families and subfamilies of Coleoptera (with selected genera, notes, references and data on family-group names). In “Phylogeny and Classification of Coleoptera”. J. Pakaluk and S.A. Slipinski Eds., Warsaw: 779-1006. Leseigneur, L. (1972), Coléoptères Elateridae de la Faune de France Continentale et de Corse. Bulletin mensuel de la Société Linnéenne de Lyon (Supplément), 41: 1-381. Platia, G. (1994), Coleoptera, Elateridae. 33. Fauna d’Italia. Calderini, Bologna Ed., Bologna.