eiró

Nome vulgar da espécie ictiológica migradora anfibiótica, catádroma, Anguilla anguilla (Anguillidae), também conhecida por enguia ou iró (Collins, 1954; Drouët, 1861; Lopes (1948); Martins (1981); Sampaio (1904); Santos et al., 1997). Collins (1954) atribui também este nome vulgar à espécie ictiológica Seriola dumerili, conhecida por írio ou lírio, tratando-se certamente de erro.

Segundo Bauchot (1986), os indivíduos desta espécie têm o corpo alongado, cilíndrico anteriormente, algo comprimido posteriormente; cabeça bastante longa; olho pequeno; boca terminal, mandíbula inferior ligeiramente mais longa e proeminente. Dentes pequenos, dispostos em bandas em ambas as mandíbulas e em mancha sobre o vómer. Aberturas branquiais pequenas e verticais, apenas dos lados. Barbatanas dorsal e anal confluentes com a barbatana caudal; origem da barbatana caudal bastante atrás das barbatanas peitorais; origem da barbatana anal ligeiramente atrás do ânus, bem atrás da origem da barbatana dorsal; barbatanas peitorais bem desenvolvidas; barbatanas pélvicas ausentes. Linha lateral conspícua. Escamas de forma elíptica, pequenas, embebidas na pele.

Os ovos ocorrem no Mar dos Sargaços, os leptocéfalos nas águas superficiais do Atlântico, as enguias-de-vidro nos estuários e lagunas de águas salobras da costa europeia e os alevins e adultos nas correntes e lagos; os adultos voltam ao Mar dos Sargaços por águas profundas.

Espécie registada para os Açores por Drouët (1858), os leptocéfalos ocorrem junto às ilhas e penetram nas águas das ribeiras. Sampaio (1904), refere a sua ocorrência apenas na ribeira que abastece os moinhos, em Angra do Heroísmo, onde é pescada por ocasião da sua limpeza, e no paul da Praia da Vitória. Todavia, Drouët (1861) e Ramos (1871) registam a sua ocorrência em ribeiras nas ilhas de S. Miguel (Ribeira Quente), Terceira, S. Jorge e Flores (Ribeira de Santa Cruz), não só no seu curso inferior, mas também no superior, a altitudes entre 200 e 300 m, de onde as águas se precipitam em cascatas mais ou menos abruptas, de leitos pelo menos parcialmente secos no verão. Ocorre na ilha do Faial, pelo menos no curso inferior da ribeira da Conceição, entre a foz e a ponte. Luís M. Arruda (2003)

Bibl. Collins, B. L. (1954), Lista de peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Drouët (1858), Rapport a Sa Majesté le Roi de Portugal sur un voyage d’exploration scientifique aux îles Açores. Mémoires de la Société Academque de l’Aube, 22: 1-3. Id. (1861), Élements de la Faune Açoréenne. Paris, J.-B. Baillière & Fils. Lopes, F. (1948), A pesca na ilha Terceira. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 6: 61-106. Martins, H. R. (1981), Nomenclatura de peixes de valor comercial dos Açores. Açoreana, 6, 2: 127-129. Sampaio, A. S., (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Peixes. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 129-136. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago, Life and Marine Supplement, 1.