Dutra, Carlos

 (C. D. Costa) [N. Angústias, Horta, 8.1.1959] Escultor. Residiu na Horta até aos 18 anos, onde estudou no Liceu, participou em actividades ligadas ao teatro amador com Amílcar Goulart, fez um curso de iniciação à fotografia orientado por Mário Duarte e Paulo Lobão e foi jogador de futebol e basquetebol no Angústias Atlético Clube.

Em 1978, mudou-se para Lisboa onde frequentou o AR.CO (Centro de Arte e Comunicação Visual) e, na década de 80, desenvolveu intensa actividade na montagem e produção de espectáculos, cartazes e fotografia como membro da Companhia de Marionetas de S. Lourenço. Em 2002 realizou adereços em mármore e madeira para a companhia de Teatro O Bando. Especializou-se em fotografia de marionetas e de objectos de arte. Foi estagiário no Departamento de Escultura em Pedra do Centro Cultural de Évora (1989) e bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na área da escultura (1992/94).

Carlos Dutra, senhor do invólucro, especulador do conteúdo (Vaz, 1993), a partir de materiais tão nobres como a madeira e tão vulgares como o ferro, inventa os elementos constitutivos de um universo intensamente pessoal, pleno de ressonâncias, e cria assim uma arte elementar (Sousa, 1990). Nas suas mais recentes propostas plásticas Carlos Dutra tem procurado conciliar uma pesquisa sobre materiais «nobres», sobretudo diversos tipos de pedra [...] (Pereira, 1999). É a pedra que se irmana com a água num pacto de fogo. Porque lá de onde Carlos Dutra vem, as praias não têm areia, é preciso queimar a pele para atingir o mar (J. A. Gil, 1988). Luís M. Arruda (2003)

Exposições individuais (desde 2000): Paraíso e seixos artificiais, Pro-Évora, Évora, 2000. As pedras do meu coração e o campo magnético, Palácio Vimioso, Évora, 2000. Movimento telúrico, Páteo do Pro-Évora, Évora, 2002. Desenhos, Associação Alçude, Évora, 2003.

Exposições colectivas (desde 2000): Inauguração da Galeria 21, Évora, 2000. Desenho de modelo, Grupo Pro-Évora, Évora, 2001. Galeria 21, Évora, 2002.

Obras em lugares públicos. Museu da Horta; Assembleia Legislativa Regional dos Açores, Horta; Caixa de Crédito Agrícola Mútuo dos Açores, Horta; Museu de Setúbal; Museu do Trabalho Michel Giacometti, Setúbal; Praça de Trajano, Chaves; Grupo Pro-Évora; Menir, Campo Maior.

 

Bibl. Gil, J. A. (1998), Catálogo da exposição de 3 a 30 de Julho de 1988 ? Galeria Miron. Lisboa. Pereira, F. A. B. (1999), Nótula em torno de uma instalação de Carlos Dutra. Catálogo da Instalação ?Consolador Elemental?. Setúbal, Câmara Municipal. Sousa, A. (1990), Sobre a Instalação A presentação. (inédito). Vaz, H. (1993), Carlos Dutra, especulador do conteúdo. Catálogo da Instalação ?Ano 2017 Portugal?, Coimbra, edifício Chiado. Sousa, A.,Texto do Poeta Avelino de Sousa sobre instalação em 1990 na Livraria Universo em Setúbal [texto inédito].

 

 

Adenda
(…)
Reside em Évora, onde desenvolve uma intensa atividade na arte escultórica contemporânea, no Departamento de Escultura em Pedra do Centro Cultural de Évora.
Recebeu, em 1986, o Prémio “Novos Escultores” atribuído pelo Centro Cultural de Évora, em 1988, o Prémio “Novos Valores da Cultura” atribuído pela Galeria Nasoni e pelo Ministério da Juventude e em 1995, Menção Honrosa na VI Bienal de Escultura e Desenho das Caldas da Rainha.
As exposições individuais mais recentes foram em Souvenir, Biblioteca Pública-Arquivo Distrital da Horta e A Máquina do Mundo, Pátio do Grupo Pro-Évora (2008); Problemas Humanos, Segredos Naturais, Mistérios Divinos,  Jardim do Chá - Associação Oficinas de Comunicação, Évora (2007); Reconstruções, Museu de Arqueologia e Etnografia do distrito de Setúbal (2006) e Profundidade de Campo, Pousada da Nossa Senhora da Assunção, Arraiolos e Escultura na Cidade, IPPAR – Casa Nobre da Rua de Burgos, Évora (2003).
Desde 1988 que tem vindo a participar em diversas exposições coletivas, sendo as últimas XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira (2017); Estórias de Pedra - Colecção B, Escrita na Paisagem, Igreja de São Vicente, Évora (2013); Escultura de Ar Livre, Amadora (2012); China, Parque de Escultura de Changchun (2011); Castelos de Pinhel (2009); Portugalizando, Museu República e Resistência, Semana da Galiza (2007); Arte na Planície, Montemor-o-Novo e Exposição Internacional de Artes Plásticas de Sesimbra (2006); Simpósio de Escultura, Cantanhede (2004) e Escultura e Ourivesaria, Galeria 21, e Escultura na Cidade, ambas em Évora (2003).
As suas esculturas estão representadas em várias coleções privadas e em espaços públicos e institucionais, nacionais e internacionais. Destacam-se a Biblioteca Pública da Horta, Reserva Natural do Estuário do Sado, Parque Natural da Arrábida, Cantanhede, China, Changchun, Parque Internacional de Esculturas e Arquivo Fotográfico de Évora.
Na área do teatro e fotografia, integrou a companhia profissional Marionetas de São Lourenço, fez o levantamento fotográfico antes e depois da instalação do Museu Nacional da Marioneta, fez fotos de cartaz (História do Soldado, Lá nas Traseiras do Mundo, D. Quixote, de António José da Silva), participou na rodagem  do filme Barnum, fez digressões com a Carroça Espectaclo, e participou em espetáculos em vários teatros e instituições como Sociedade Portuguesa de Autores (Lisboa), Teatro D. Maria, Teatro de São Carlos, Teatro Letes (Faro), Teatro Garcia de Resende (Évora), Teatro José Lúcio (Leiria), Teatro Gil Vicente (Coimbra), Casa do Vinho do Porto (Régua), Teatro Carlos Alberto (Porto) Teatro Seiva Trupe, FITEI.
Particpou ainda nos filmes O Processo, de Guilherme Ismael e Consolador Elemental, de Eurico Coelho, com música de Emídio Buchinho. Ranu Costa (2022)