dragoeiro

Nome vulgar de Dracaena draco (Agavaceae). Dracaena deriva do grego drakaina, um dragão fêmea, possivelmente por exsudar goma vermelha. Geralmente afirma-se que esta espécie é originária das Canárias, onde existem alguns exemplares impressionantes, pelas quais passam os roteiros turísticos. Nos Açores, existem alguns dragoeiros, nomeadamente um, situado na Fajã dos Vimes, na ilha de São Jorge, cuja situação e dimensões levam a acreditar que teria feito parte da vegetação primitiva deste arquipélago. Há afirmações devidamente fundamentadas (Goes, 1994) de que já existiam árvores de grande porte nos Açores, Madeira e Porto Santo na época do povoamento. Trata-se de uma árvore invulgar, não só devido às dimensões que atinge, como ao seu aspecto exótico e ao número de anos que vive. Podem ultrapassar os 20 m de altura, o tronco cinzento prateado, espesso, desenvolve-se erecto sem se ramificar, até produzir a primeira inflorescência terminal, mais tarde, ramifica-se de forma regular, formando uma cabeça de ramos dispostos em cúpula; tem as folhas dispostas em rosetas densas, situadas nas extremidades dos ramos, sésseis, linear-lanceoladas, inteiras, reflexas, glaucas, com a base envolvendo os ramos, apex agudo, com a nervura central pouco evidente; inflorescência paniculada, erecta, terminal, muito ramificada; flores em grupos de 4-5, perianto de 8 mm, profundamente lobado, brancas, internamente verdes ou esverdeadas; fruto uma baga esférica cor de laranja a avermelhada com 1,5 cm de diâmetro. Nos Açores, propaga-se espontaneamente por semente que germina em grande quantidade nas proximidades das árvores adultas; a propagação por estaca não oferece dificuldade nesta região. Esta espécie encontra-se em vias de extinção. A extracção do sangue-de-dragão, goma vermelha que exsuda do tronco desta árvore quando se lhe fazem ferimentos, outrora de grande valor comercial e utilizada no acabamento de violinos e outros instrumentos musicais, foi a principal causa do desaparecimento de grande número de árvores. A extraordinária longevidade do dragoeiro, ficou comprovada quando um temporal em 1868 derrubou uma árvore na ilha de Tenerife com 21 m de altura, e, cuja idade foi estimada em 6 mil anos. Por todas estas razões, os dragoeiros existentes na Macaronésia, selvagens ou cultivados, deveriam ser objecto de protecção. Raquel Costa e Silva (Jan.2003)

Bibl. Goes, E.(1994), Dragoeiros dos Açores. Ribeira Chã, Coingra: 21. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992), Londres, The Macmillan Press Limited, 2: 96.