doninha
Nome vulgar de pequeno mamífero Mustela nivalis Linnaeus 1758, pertencente à ordem Carnivora (Família Mustelidae). É frequente ser denominada nos Açores por comadrinha.
Presente nas ilhas de S. Miguel (grupo Oriental) e Terceira (grupo Central) pode ainda ocorrer no Faial, não estando, no entanto, confirmada a presença desta espécie nesta ilha do grupo Central (Godman, 1870; Mathias et al., 1998). À semelhança de todos os mamíferos presentes no arquipélago dos Açores, a doninha terá sido introduzida pelo Homem, intencional ou acidentalmente, proveniente do continente europeu (Drouët, 1861; Godman, 1870). Godman (1870) assegura que a introdução da doninha no arquipélago foi feita através dos navios, nos quais seria relativamente elevada a densidade de roedores, gerando uma fonte de alimento ao mustelídeo que, deste modo, teria facilidade em sobreviver a longas viagens.
Drouët (1861) refere que a doninha, nos Açores, era regularmente observada nos locais onde havia criação de aves e de coelhos, os quais constituíam uma presa fácil para o pequeno predador. No entanto, este autor observou também a comadrinha, em S. Miguel, nas regiões montanhosas, afastadas de habitações, entre Vila Franca e a Lagoa do Fogo. Conhecendo-se bem os hábitos alimentares da doninha, em que os pequenos vertebrados desempenham um papel relevante, e sabendo-se que o ratinho-caseiro (Mus musculus domesticus) e a ratazana-preta (Rattus rattus) apresentam uma ampla área de distribuição no arquipélago dos Açores, ocorrendo nomeadamente nas florestas de Laurisilva, em altitude (Mathias et al., 1998), compreende-se que Drouët (1861) a tenha localizado neste habitat. Recentemente, foi capturada nas ilhas Terceira e S. Miguel em jardins abandonados e pastagens rodeadas de bosques (Mathias et al.1998).
Chaves (1911) em conferência proferida sobre a introdução de algumas espécies zoológicas, refere que «...a comadrinha, que já não é a mesma doninha (Mustela vulgaris- L.) que foi introduzida do continente em epocha desconhecida, devendo mesmo, segundo a opinião tão auctorisada do eminente naturalista inglez, o Dr. Oldfield Thomas, ser considerada já como especie açoreana». De facto, já anteriormente, Barrett-Hamilton (1904) considera que a doninha que habita o arquipélago dos Açores será mais próxima da Norte Africana, conferindo-lhe o estatuto subespecífico de africanus. Posteriormente, Ulfstrand (1961) foca Mustela vulgaris = Mustela nivalis que está representada nos Açores pela subespécie numidica Puncheran, 1855 que ocorre também em Marrocos e Argélia (Ellerman e Morrison-Scott, 1951). Mais recentemente, Mathias et al. (1998) retomam a discussão sobre o estatuto taxonómico da doninha açoreana. Estes autores referem que, nos Açores, os espécimes apresentam dimensões mais elevadas, nomeadamente no que respeita ao comprimento da cauda e algumas particularidades na coloração da pelagem. No entanto, devido ao escasso número de animais analisados (ver Quadro I) e à ausência de estudos genéticos e/ou morfológicos comparativos as dúvidas persistem quanto ao estatuto taxonómico a atribuir aos espécimes açorianos.
Descrição É o carnívoro mais pequeno da Europa. Corpo alongado, pescoço longo, cabeça pequena e membros curtos terminando em patas pentadáctilas providas de garras não retrácteis. Pêlo curto, castanho avermelhado no dorso e branco no ventre. A cauda é curta e castanha. Duas subespécies são referidas para a Península Ibérica (Cabrera, 1914; Frank, 1985; Santos-Reis, 1989): vulgaris, com uma área de distribuição que engloba o norte e centro da Península Ibérica, caracteriza-se por a linha de demarcação, entre coloração do dorso e flancos e a do ventre, ser sinuosa, apresentar manchas rictais e lábio superior, e as patas anteriores e posteriores serem castanhas; e nivalis, que ocorre no Centro (onde coexistem as duas formas) e Sul da Península Ibérica, apresenta a linha de demarcação rectilínea, não possui manchas rictais e lábio superior e as patas anteriores e posteriores são brancas (Frank, 1985; Santos-Reis 1989).
Apresenta dimorfismo sexual acentuado sendo as fêmeas mais pequenas que os machos (ver Quadro I).
Distribuição Mundial: Região Holoárctica (Neárctica e Paleárctica). Desde o Norte da América do Norte passando pela Ásia até à Europa e Norte de África. Europa: Presente em toda a Europa, Grã-Bretanha, muitas das ilhas Mediterrânicas e algumas ilhas do arquipélago dos Açores (Pulliainen, 1998). Graça Ramalhinho e M. L. Mathias (Jan.2003)
Bibl. Barrett-Hamilton, G. E. H. (1904), Note on an undescribed weasel from the
Quadro I - Medidas retiradas de Mathias et al., (1998): C.corpo comprimento do corpo.; C.cauda comprimento da cauda; C.p.post. comprimento da pata posterior; C.orelha- comprimento da orelha.
|
Localidade |
Sexo |
Peso(g) |
C.corpo(cm) |
C.cauda(cm) |
C.p.post.(cm) |
C.orelha(Cm) |
|
S.MIGUEL |
F |
179,8 |
24 |
8,8 |
3,8 |
1,5 |
|
TERCEIRA |
M |
128 |
22,3 |
9,2 |
3,5 |
1,3 |
