ditiscídeos

Insectos coleópteros incluídos na superfamília dos Dytiscoidea (Roughley & Larson, 2000). Os adultos são normalmente de dimensões pequenas a médias, podendo contudo alcançar envergaduras até 40 cm. A coloração geral destes insectos é muito variável, indo desde a castanho-avermelhada até à negra, com ou sem manchas amarelas. Algumas espécies, pelo contrário podem ser acastanhadas com manchas negras. A pontuação elitral pode-se limitar a uma estria subsutural e três linhas de pontos discais. O corpo é normalmente glabro, mas as tíbias e tarsos possuem sedas em profusão que facilitam a natação. Conhecidos normalmente por baratas-da-água, a maioria das espécies deste grupo (larvas e adultos) são aquáticas, ocorrendo em charcos, lagos e rios. Contudo, os adultos podem voar e assim, migrar de um habitat para outro com alguma facilidade. A maioria dos adultos desta família de coleópteros são necrófagos ou predadores, alimentando-se dos cadáveres ou de insectos vivos, podendo mesmo certas espécies atacar girinos e pequenos peixes. As larvas são predadores vorazes, atacando qualquer presa apropriada às suas dimensões, sendo normal o canibalismo. Os adultos depositam os ovos nos locais onde vivem e o tempo de desenvolvimento das larvas é muito variável (meses a anos). O corpo com a forma elíptica alongada e achatado dorso-ventralmente e ainda as patas do tipo natatório, são características estruturais bem adaptadas à vida aquática. Os adultos têm a capacidade de permanecer submersos por longos períodos, através de um mecanismo conhecido por brânquia física que utiliza bolhas de ar previamente armazenadas sob os élitros. As antenas são filiformes e as peças da armadura bucal são conformes ao tipo triturador ou mastigador. Os tarsos possuem 5 artículos, podendo ocorrer dimorfismos sexuais principalmente ao nível dos protarsos. Para uma descrição pormenorizada das várias componentes estruturais do corpo dos ditiscídeos aconselhamos a consulta de Franciscolo (1979) e Roughley & Larson (2000).

Este grupo de coleópteros é muito diversificado, englobando mais de 4.000 espécies em todo o mundo e estando muito bem representado nas regiões temperadas (mais de 500 espécies). Para os Açores estão registadas 9 espécies, das quais 2 são endémicas (Hydroporus guernei Régimbart e Agabus godmani Crotch). Com excepção das 2 espécies do género Coelambus e de Erectes stictus (Linnaeus), as outras 6 espécies podem-se encontrar em quase todas as ilhas dos Açores. Dados sobre a composição faunística e distribuição das espécies neste Arquipélago podem-se encontrar em Borges (1990 e 1992). Artur Serrano (2003)

Bibl. Borges, P. A. V. (1990), A Checklist of the Coleoptera from the Azores with some Systematic and Biogeographic comments. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 42 (220): 87-136. Id. (1992). Biogeography of the Azorean Coleoptera. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 44 (237): 5-76. Franciscolo, M. E. (1979). Coleoptera: Haliplidae, Hygrobiidae, Gyrinidae, Dytiscidae. Fauna d`Italia. 14. Calderini, Bologna. Lawrence, J. F. & Newton, A. F. (1995), Families and subfamilies of Coleoptera (with selected genera, notes, references and data on family-group names). In “Phylogeny and Classification of Coleoptera”. J. Pakaluk and S. A. Slipinski Eds., Warsaw: 779-1006. Roughley, R. E. & Larson, D. J. (2000). Dytiscidae, ch. 12. In “American Beetles. Archostemata, Myxophaga, Adephaga, Polyphaga: Staphyliniformia”. R. H. Arnett, Jr. & M. C. Thomas Eds, CRC Press, Boca Raton, 1: 156-186.