disjunção prismática

Estrutura de arrefecimento que se forma frequentemente no interior de derrames lávicos, filões e chaminés vulcânicas. A disjunção prismática, também designada disjunção colunar, resulta da contracção da lava à medida que arrefece. A forma mais comum das colunas é a de prismas hexagonais, mas normalmente encontram-se prismas com quatro a sete faces. A geometria hexagonal ocorre quando a estrutura da lava e o seu arrefecimento são homogéneos, e resulta do facto da contracção se processar em direcção a pontos equidistantes à superfície do corpo lávico. Esses pontos organizam-se segundo uma malha de grau seis, o grau de coordenação mais apertado, tal como sucede com os favos das abelhas e outras estruturas naturais (note-se que o hexágono é o único polígono regular que permite preencher um plano). A contracção da lava em direcção aos pontos referidos origina fracturas que se propagam gradualmente para o interior do corpo lávico à medida que este arrefece e se contrai, formando, deste modo, os prismas.

A disposição dos prismas no interior do corpo lávico depende da geometria do próprio corpo. Assim, num filão, os prismas formam-se a partir das duas superfícies de contacto do filão com a rocha encaixante, para a qual o material lávico do filão perde calor, sendo portanto perpendiculares àquelas. Nas chaminés vulcânicas, cuja forma é frequentemente cilíndrica, os prismas dispõem-se radialmente, perpendiculares ao contacto da chaminé com a rocha encaixante, mas em níveis próximos da abertura da conduta vulcânica tendem a ser mais irregulares, encurvando para a superfície (para onde a lava também perde calor) e originando geometrias em leque. Nos derrames lávicos, a perda de calor processa-se por irradiação para o ar ou água, através da superfície superior da escoada, mas também por condução para o solo, através da base da escoada. Formam-se, por isso, prismas que se propagam a partir daquelas duas superfícies, gerando frequentemente dois conjuntos. Nestes casos os prismas formados a partir da superfície tendem a ser menos perfeitos e de maiores dimensões, pois o arrefecimento por irradiação é mais rápido, que os que se desenvolvem a partir da base do derrame, onde o arrefecimento é mais lento, que são mais curtos, mais perfeitos e de menor diâmetro. Quando ocorrem, os dois conjuntos de prismas ligam-se um ao outro através de uma zona de disjunção irregular situada aproximadamente a uma distância da base correspondente a um terço da espessura da escoada. Em derrames lávicos que correram no interior de vales, a disjunção prismática, que é sempre perpendicular às superfícies de arrefecimento, pode apresentar disposição em leque devido à forma côncava da base da escoada.

Nos Açores a disjunção prismática pode ser observada em todas as ilhas onde o interior de um derrame (qualquer que seja a sua composição) se encontre exposto (por exemplo nas arribas litorais). A ilha de Santa Maria, por ser mais antiga e apresentar um grau de erosão mais avançado, apresenta numerosos e bonitos exemplo de disjunção prismática. Contudo, o afloramento mais conhecido é a Rocha dos Bordões na ilha das Flores. José Madeira (Ago.2002)