Dias, António Alcântara de Mendonça
[N. Vila Franca do Campo, ilha de S. Miguel, 19.9.1904 m. 14.7.1971.] Filho de Urbano de Mendonça Dias e de Berta Gomes Borges dAlcântara. Frequentou as universidades de Lisboa e Porto, licenciando-se em Ciências Matemáticas na Universidade de Lisboa, em 1929.
Personalidade ricamente facetada, recebeu de seu pai, historiador, o espírito científico e de sua mãe, pintora, a veia artística que foi impulsionada pelo ambiente da casa de seus tios (Margarida Alcântara, casada com o escultor Simões de Almeida), onde residiu enquanto estudava em Lisboa. Durante esta época, aliciado pelo movimento Integralismo Lusitano, emparceirou com Alberto de Monsaraz, Pinto da Cunha, conde de Mangualde e Silva Lopes na redacção de A Nação, chefiando, também, A Política, outro órgão integralista.
Regressado a S. Miguel, foi na sua terra natal que iniciou a sua actividade profissional como docente do Externato Vilafranquense, sendo mais tarde seu director. Os seus extensos conhecimentos sobre pintura, escultura e arquitectura levaram-no não só a pintar como a projectar a Ermida de Nossa Senhora do Monte na Lomba de Loução (Povoação), a sua casa na Ribeira das Taínhas, Vila Franca do Campo, e os socos da estátua do Infante D. Henrique, na mesma vila, assim como o do Padrão dos Descobrimentos no Jardim de Vila do Porto. Interessado pelos problemas da sua terra, foi procurador à Junta Geral e vogal da sua comissão executiva e provedor da Santa Casa da Misericórdia. A partir de 1968, assumiu a direcção do jornal diário *Açores. Todavia, o espírito de cientista vingou. Paralelamente com a sua actividade profissional no serviço meteorológico dos Açores, onde foi chefe do Observatório Magnético de São Miguel e do sector meteorológico de Santa Maria, director do Observatório Afonso Chaves e, desde 1969, chefe da Divisão Regional dos Açores do Serviço Meteorológico Nacional, era membro da Associação Internacional de Engenharia Sísmica, da Associação dos Arqueólogos Portugueses, da Sociedade Afonso Chaves e do Instituto Cultural de Ponta Delgada.
Era um homem de ciência, reconhecido internacionalmente pelos seus trabalhos sobre geomagnetismo, vulcanologia e sismologia. Várias palestras e comunicações foram proferidas no estrangeiro e em Portugal como O Condicionalismo e a recente crise sísmica e o comportamento da magma na região dos Açores, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em 1964, ou Nota sobre o mecanismo sísmico e eruptivo na região dos Açores, em Helsínquia, em 1960. Considerado um dos grandes vulcanólogos portugueses, consagrou grande interesse à evolução dos Capelinhos, sendo de sua autoria uma teoria sobre os movimentos de magma com aplicação à previsão dos sismos. Na última parte da sua vida e em presença de alguns problemas da pesca nos Açores, dedicou-se à oceanografia. Margarida Vaz do Rego (Jun.2003)
Obras Principais. (1954), Prospecção geofísica nos Açores: métodos magnéticos e gravimétricos In Livro do 1.º Congresso Açoriano. Lisboa, Casa dos Açores: 103-110. (1954), A Hypothetical model of the geomagnetic secular variation in Wetem Europe and in the
Bibl. Arquivo Particular da família Mendonça Dias. Diário dos Açores (1971), Julho-Agosto. Id. (1972) Julho. Açores (1971), Julho-Agosto. Id. (1972) Julho. Id. (1982) Julho. Afonso, J. (1997), Bibliografia Geral dos Açores. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, Direcção Regional dos Assuntos Culturais.
