Diário dos Açores

Jornal publicado em Ponta Delgada, a partir de 5.2.1870, como folha noticiosa de instrução e recreio. Ao longo da sua existência sofreu várias alterações no formato, na periodicidade e no título, dando origem a 3 séries, com numerações diferentes. A I série durou até 11.6.1881; a II iniciou-se com o título Novo Diário dos Açores (25.6.1881), por ter sido condenado judicialmente; retomou a III série com o título original a 2.1.1891. Nestes primeiros anos a periodicidade variou entre dois e três números por semana, intercalada com publicações diárias. O jornal foi fundado por Manuel Augusto Tavares de Resende que foi seu director até 1892, mantendo-se sempre ligado à família.

Ao longo dos anos, variou o número de páginas, e foi o primeiro jornal açoriano a introduzir a composição mecânica (linotype). Pelas suas páginas perpassam os momentos mais significativos da história micaelense e dos Açores: as conhecidas lutas do “Tubarão e da Sardinha” (1874), os grandes centenários nacionais e estrangeiros, as várias batalhas em defesa dos interesses açorianos, nomeadamente as autonomistas, as jornadas em prol da fraternidade açoriana, as pequenas notícias sobre a vida quotidiana, a vida cultural, desportiva, etc. Nas suas páginas colaboraram as grandes figuras da intelectualidade local, das mais diversas gerações. Dedicou atenção aos vários ramos da economia com artigos de carácter formativo, à literatura, dando oportunidade aos Novos de se estrearem numa secção de letras. Mantendo a independência política, nos primeiros anos do Estado Novo era considerado pelos governadores civis como o jornal preferido pelos elementos da oposição. Continua a ser publicado. Carlos Enes (Mar.2003)