desenvolvimento regional

A evolução do PIB dos Açores, um indicador macroeconómico da riqueza e, portanto, do bem-estar geral, proporcionado em cada período, foi positiva, de forma contínua, desde a década de oitenta, apenas com um ano de quebra em 1993, devido ao abrandamento económico nacional e internacional e devido a alguma contenção da despesa do Orçamento da Região Autónoma dos Açores (ORAA).

Estatísticas do PIB, coligidas de forma continuada, só existem a partir de 1980. Uma leitura deste indicador, desde então, não é, mesmo assim, fácil, porquanto a metodologia para a sua compilação alterou-se no início da década de noventa, quando o INE passou a calcular, por imputação, o valor deste indicador para os Açores e para a Madeira. As duas séries divergem significativamente em quatro anos de sobreposição. É possível, no entanto, analisar as tendências em dois períodos distintos, 1980-1990 e 1990-1997. Para o primeiro período existem as estatísticas produzidas pelo Serviço Regional de Estatística (SREA), para o segundo as produzidas pelo INE.

O Quadro I apresenta os valores absolutos do PIB para os Açores e para o país, desde 1990. São estatísticas do INE que reflectem que, neste período, pese embora as taxas de crescimento positivas, os Açores mantêm um peso relativo constante de cerca de 1,7% na riqueza gerada a nível nacional.

Como o PIB, em valores absolutos, não capta o factor população, é importante calcular o PIB per capita, indicador que pondera a riqueza gerada pela população. Toma-se, assim, em linha de conta a evolução da população já que é, teoricamente, possível que o PIB esteja a crescer e o PIB per capita a diminuir.

O Quadro II apresenta rácios, baseados em dados do SREA, que estabelecem, para o período 1980-1994, uma comparação que permite identificar as tendências, face ao todo nacional, naquele período.

A análise deste quadro leva-nos a concluir que, depois de se atingir um ponto alto, em 1984, o PIB per capita nos Açores tem vindo, continuamente, a cair em relação ao mesmo indicador nacional. Seguindo os valores do SREA, em 1990 o rendimento per capita na região já seria apenas 59% do valor nacional, mantendo-se uma tendência de decréscimo.

Avaliando este indicador para diversas regiões de Portugal, incluindo os Açores, para o período 1995-1999, com os dados compilados pelo INE, obtém-se os resultados do Quadro III.

A inspecção do quadro leva-nos a concluir que, mesmo neste período, os Açores estagnaram. As regiões que ganharam peso relativo foram a Madeira, Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, as quais apresentam maior peso no sector do turismo. Todas as outras perdem relativamente à média nacional do PIB per capita, conforme se deduz do quadro.

Os Açores, tal como o Norte, o centro e o Alentejo, evidenciaram uma menor dinâmica de crescimento.

Os principais sectores de actividade dos Açores, o primário e a indústria que lhe está associada, não constituíram um motor de desenvolvimento mais eficaz do que o turismo nas outras regiões. Embora com crescimento mais acentuado nos últimos dois anos, o turismo nos Açores teve uma evolução modesta no período em análise.

Sendo, para alguns analistas, o PIB um indicador insuficiente do nível de desenvolvimento e bem-estar de uma região ou país, podemos recorrer a um outro indicador publicado pelo INE, o Indicador Per Capita de Poder de Compra Concelhio, para avaliar a situação relativa de cada região. Pese embora este indicador se baseie em informação similar à utilizada para o cálculo do PIB, tenta captar uma indicação do poder de compra relativo de cada região do país, fornecendo também um ordenamento da capacidade económica de cada localidade. No Quadro IV apresentam-se os valores para algumas localidades e regiões.

Este indicador revela, também, uma situação pouco favorável para os Açores que, em média, registam um índice de 65%, muito inferior, portanto, à média nacional. Uma análise mais localizada identifica Ponta Delgada como sendo o concelho com maior poder de compra per capita mas, mesmo assim, abaixo dos níveis do Funchal e muito abaixo dos valores de Lisboa e Porto. A generalidade dos concelhos dos Açores regista valores abaixo dos 50% do índice nacional.

A leitura da evolução do Indicador Per Capita de Poder de Compra Concelhio permite concluir que, na década de 1990, os Açores não registaram quaisquer ganhos relativamente ao resto do país.

As taxas de crescimento positivas levam ainda a concluir que, pese embora a posição relativa desfavorável, os Açores registaram taxas de crescimento positivas, podendo associar-se este crescimento a um desenvolvimento positivo. Mário Fortuna (Jan.2003)

 

Quadro I

 

PIB a preços de mercado

 

 

 

 

 

milhões euro

 

1990

1995

1996

1997

1998

1999

Açores

857

1.376

1.444

1.534

1.711

1.837

variação

 

 

4,90%

6,20%

11,50%

7,40%

País

50.412

80.874

86.429

93.037

101.052

107.630

variação

 

 

6,90%

7,60%

8,60%

6,50%

Açores/País

1,70%

1,70%

1,67%

1,65%

1,69%

1,71%

Fonte: ORAA 2002

 

 

Quadro II

 

                Peso do PIB dos Açores e PIB per capita – 1980/1994

 

 

População

PIB

 

PIB/cap

 

ANO

Açores/Cont.

Açores/Cont.

Açores

a)

Cont.

a)

Açores/Cont

1980

2.58%

1.83%

93

132

70.9%

1981

2.60%

1.79%

110

160

68.9%

1982

2.59%

1.76%

134

197

67.9%

1983

2.58%

1.76%

165

243

68.0%

1984

2.57%

1.84%

213

298

71.5%

1985

2.57%

1.70%

248

375

66.2%

1986

2.56%

1.68%

308

470

65.5%

1987

2.56%

1.69%

364

550

66.1%