dedaleira
Nome vulgar de Digitalis purpurea (Scrophulariaceae). Dicotiledónea. A dedaleira dos Açores é a Digitalis purpurea subsp. purpurea e existe nas Flores, Pico, S. Jorge, Terceira e S. Miguel (Franco, 1984). Digitalis deriva de digitus, palavra latina que significa dedos, o que se refere à forma das flores. A dedaleira é uma espécie politípica, com tendência para formar subespécies geográficas, estas por sua vez muito variáveis. São plantas calcífugas, de porte muito variável, bienais ou vivazes. Têm folhas basilares lanceoladas a ovadas, acuneadas na base, glabras a tomentosas, esverdeadas a esbranquiçadas; flores dispostas em cachos simples, por vezes ramificados, geralmente com muitas flores, com brácteas lanceoladas, agudas e sésseis, por vezes muito reduzidas, cálice simétrico, 5-partido, menor que o tubo da corola; a corola bilabiada, lábios erecto-patentes, o superior menor que o inferior, com tubo cilíndrico a globoso, de cor púrpura, raramente branca ou rosada, geralmente marcada na parte interna com uma mancha branca com pontos púrpura escuros; fruto uma cápsula ovóide a cónica, contendo grande número de sementes.
Esta planta está a ser usada em jardins como ornamental e têm surgido alguns híbridos muito bonitos. Propaga-se por semente que para germinar necessita de luz.
A sementeira faz-se em canteiros, em Outubro, usando 1 cm3 de semente para 2 m2 de terreno. Prefere terrenos leves, ácidos e ricos em matéria orgânica. As sementes e folhas contêm diversos complexos glucosídicos designados genericamente como digitalinas com propriedades cardiotónicas e diuréticas. As folhas secas e moídas, colhidas no 2.º ano em Maio ou Junho, podem ser usadas para preparar tinturas e extractos que foram usados como medicamento caseiros, mas a dosagem não é fácil. É mais seguro tomar medicamentos em que os glucosidos vêm separados e a dosagem é mais perfeita. Raquel Costa e Silva (Jan.2003)
Bibl. Bown, D. (1995), Encyclopedia of Herbs & Their Uses. Londres, Dorling Kindersley: 273. Franco, J. A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Lisboa, Sociedade Astória, II: 246. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992). Londres, The Macmillan Press Limited, 2: 66-68. Vasconcellos, J. C. (1949), Plantas Medicinais e Aromáticas. Lisboa, Direcção Geral dos Serviços Agrícolas: 166-169.
