Dabney, Samuel Wyllys

 [N. Faial, 6.1.1826 – m. S. Diego, EUA, 6.12.1893] Filho de Charles William *Dabney e de Frances Alsop Dabney, do seu casamento com Harriet Wainwright Webster, além de dois filhos que morreram jovens, nasceram Alice, Rose, Harriet, Clara, Rose, Herbert, Ralph, Richard, e Charles.

Deu continuidade aos negócios da Casa “Charles Dabney & Sons” a partir da morte de seu pai em 1871. Fazendo jus aos méritos dos seus antecessores, a que não será alheio o próprio mérito exercitado na prática da actividade comercial e consular junto de seu pai, Samuel Dabney recebe também mandato consular para as ilhas açorianas. Honrando a tradição herdada de Charles William Dabney, cultivou os valores da hospitalidade e manifestando um trato afável que os plumitivos da época elogiam sem reserva, foi também um empenhado promotor do Faial. Na colecção de excelentes gravuras que Louis Tynaire – o pintor que acompanhou a expedição do Príncipe Alberto de Mónaco – e que ilustram a obra deste último, La Carrière d’un navigateur, o artista fixou com detalhe e elegância de traço o encontro de Samuel Dabney com o Príncipe a bordo da Hirondelle ancorada na baía faialense e tendo a cidade em fundo. Uma feliz composição em que à delicadeza mútua das atitudes das personagens se associa a imagem da prodigalidade generosa do visitante e que bem poderia servir de ex-libris do Faial.

Tal como a seu pai, a comunidade faialense outorgou-lhe em vida a distinção de homem de bem e de coragem provada, merecendo do governo da nação louvor público em portarias datadas de 1877 e de 1883.

A natureza diversificada das actividades da casa “Charles Dabney & Sons” prossegue sob a direcção de Samuel Dabney. Todavia, os sinais adversos que o período final dos negócios conduzidos sob a responsabilidade de seu pai já evidenciava, agravam-se. Da conjugação da crescente agressividade comercial da parte dos Bensaúde, representados na Horta por Walter Bensaúde, em áreas de negócio coincidentes, com a antecipação da construção da doca de Ponta Delgada de que resultou a gradual transferência de escalas para aquele porto com prejuízo da Horta, terão constituído forte razão para o declínio da actividade da firma da família Dabney, cujo desfecho levou à partida definitiva de Samuel Dabney e de seus familiares para os Estados Unidos da América. O último representante de uma verdadeira dinastia de cônsules-mercadores que do Faial, durante quase um século, fizeram morada e sede de uma firma comercial bem sucedida que projectou a ilha do Faial e a excelência dos seus serviços no Atlântico Norte, encerrava, em 1892, esse ciclo memorável da vida faialense. Chegava ao fim um longo período da história faialense iniciado por John Bass Dabney, em 1806, que, apropriadamente, pode merecer a designação de “o século Dabney”. Ricardo Madruga da Costa (Jan.2003)

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