curandeiros
Pessoas de aspecto rude, mas muito generosas, que recorrem a plantas e mesinhas para curar todo o género de males, sendo a sua própria casa o consultório para observar e medicar os doentes. Dos curandeiros açorianos, apenas dois são conhecidos em todas as ilhas pelas inúmeras curas que efectuaram.
Amorim Medeiros Melo (ou o Amorim, como era conhecido), nasceu a 3 de Maio de 1916 na freguesia de Fajã de Cima, ilha de S. Miguel, e faleceu a 15 de Outubro de 1991. Na casa que recebia as pessoas, havia dois quartos. Num tinha bancos de madeira, onde os pacientes se sentavam à espera da sua vez para serem atendidos. No outro, um balcão, como nas antigas vendas, com uma balança e papel escuro de embrulho. Contra a parede do quarto, havia vários armários de madeira, com prateleiras onde punha as ervas que receitava. A ele recorriam pessoas de todas as ilhas, operando curas impossíveis que o tornaram uma figura de reconhecido mérito na medicina popular.
José Machado Ávila, o Bicharedo, nasceu na freguesia do Corpo Santo, ilha Terceira, a 1 de Janeiro de 1894 e faleceu a 21 de Junho de 1945, vítima de aparatosa colhida numa tourada à corda.
O Bicharedo iniciou a sua actividade de curandeiro a tratar animais e, depois, pessoas. Esta ilha foi atingida, no princípio do século passado, por um surto de peste denominada pneumónica e bubónica, que vitimou centenas de pessoas, sendo a medicina da época impotente para erradicá-la. Sem qualquer qualificação naquela área, mas confiando na eficácia das plantas, começou a tratar pessoas com a peste, tendo curado muita gente. Por este e outros factos, foi denunciado às autoridades e preso por prática ilegal de medicina. Figura um tanto ou quanto controversa, foi, para alguns, um charlatão e, para outros, um símbolo de mérito na medicina popular. Ainda hoje é recordado pelas curas que operou, que ficou conhecido pelo Rasputine terceirense. Borges Martins (Abr.2001)
