cronistas
Uma crónica, formalmente, é um relato histórico onde os factos são registados e expostos de maneira simples, por ordem cronológica e sem a preocupação de se determinarem as causas ou efectuar um enquadramento. Os cronistas relatavam factos seus contemporâneos e sentiam-se atraídos mais pelo pormenor do que pela crítica dos documentos e muito nas crónicas tem até sabor de memória. Assim, é difícil estabelecer uma fronteira clara entre o cronista e o historiador, principalmente em períodos menos recuados como são aqueles referentes aos cronistas açorianos que têm nas suas obras muitos aspectos mais próximos da história do que verdadeiramente da crónica. Contudo, tradicionalmente, inscrevem-se como cronistas aqueles historiadores açorianos que viveram até ao século XIX, começando a historiografia com a crítica do liberalismo. É uma periodização discutível como todas e de fronteiras nebulosas, pois é bem difícil fazer coincidir a definição de crónica com escritos como os do pe. António *Cordeiro, no século XVIII, ou mesmo com muitas passagens de Gaspar Frutuoso, do século XVI.
Outro dos aspectos importantes dos cronistas é a sua ligação à literatura e ao estudo das crónicas sob o prisma de prosa literária. Muitos cronistas foram, manifestamente, literatos e incluíram nas suas obras passagens com propósitos literários, como é o exemplo clássico de Gaspar Frutuoso, principalmente no seu livro V das Saudades da Terra. Desta forma, as crónicas interessam como fontes históricas, como ensaios de historiografia e como prosa literária para o estudo da literatura, neste caso açoriana.
Nos Açores existe uma série sequencial de cronistas que tornam o seu trabalho digno de reflexão uma vez que seguem com uma continuidade temporal e temática que os tornam num caso impar quer da historiografia quer da literatura regional portuguesa.
São cinco os cronistas açorianos que entre o século XVI e o século XVIII escreveram sobre a história dos Açores, com motivações e preocupações diversas, muitas vezes inseridas na sua qualidade de religiosos (padres e frades) que todos eles foram e sempre também na sua qualidade de insulanos assumidos que todos reivindicaram. Escreviam sobre os Açores para darem voz aos açorianos e para fazerem justiça à importância das ilhas no todo português. Este é um dos aspectos em que se afastam da função de cronistas para serem historiadores.
Cronologicamente, os cronistas açorianos são Gaspar Frutuoso (1522-1591), Diogo das *Chagas (1575- ?), Agostinho de Monte Alverne (1629-1726), Manuel Luís Maldonado (1644-1711) e António *Cordeiro (1641-1722). J. G. Reis Leite (2002)
Bibl. Arrimal, J. A. (1984), Cinco cronistas dos Açores. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 42: 11-127. Lima, M. C. B. (1989), A historiografia açoriana nos séculos XVI e XVII, em Prefácio In Maldonado, M. L., Fénix Angrense. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, I: 11-25.
