criptoméria
HISTÓRIA NATURAL Nome vulgar da espécie botânica Cryptomeria japonica, da família das Taxodiáceas, também conhecida localmente por clica, crica, clipa, critoméria, cricomé, critomé e titomé. Árvore perenifólia, originária da China e Japão; copa piramidal, com ramos curtos, densos, verde-escuros, a revestir o tronco desde a base; frutos (estróbilos) numerosos, produzindo sementes férteis usadas em viveiro. Introduzida há cerca de 150 anos na ilha de S. Miguel é cultivada, agora, em todas as ilhas açorianas, tornando-se subespontânea. Resiste relativamente bem aos ventos e às geadas, exigindo regiões de queda pluviométrica anual elevada e solos frescos e fundos na zona de meia altitude, subindo, porém, até aos 850 m. Em cortinas de abrigo contra os ventos nas pastagens para bovinos, em grotas ou ravinas, constitui um factor utilíssimo. É actualmente a espécie florestal mais cultivada no arquipélago. Reproduz-se abundantemente nos viveiros florestais. Ilídio Botelho Gonçalves (Mai.2001)
PRODUÇÃO E COMÉRCIO A árvore alcança 25 a 35 m. de altura, com diâmetros da ordem de 0,60 a 0,80 m. Nos Açores, porém, os valores mais frequentes, em indivíduos com cerca de 30 anos, oscilam entre os 15 e 20 m de altura e os 0,25 e 0,30 m de diâmetro.
A Cryptomeria japonica é uma madeira fácil de trabalhar. É considerada muito durável, tanto em relação a fungos, como a insectos (carunchos). Pode ser usada em exteriores, exposta à acção do tempo sem qualquer pintura ou revestimento protector anti-séptico, por largos anos. É largamente utilizada na construção civil para carpintaria de limpos, principalmente caixilharias, guarnições e revestimentos, com aplicação no fabrico de lamelados, na construção de estruturas interiores de móveis e de portas planas. É indicada para a indústria da prefabricação de elementos construtivos leves, tais como madeiramentos interiores, tábuas de forro, divisórias ligeiras, etc. É empregue também em caixotaria, embalagens de fruta, etc.
Foi no período entre 1830 e 1899 que ocorreu uma das mais decisivas e responsáveis actuações no sector florestal nos Açores. A Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense contribuiu não só para o alargamento da superfície arborizada, como também para a introdução de numerosas essências exóticas na floresta micaelense. A constituição florística da ilha de S. Miguel foi profundamente alterada, acontecendo o mesmo em quase todas as ilhas do arquipélago, em prejuízo do que restava da floresta original espontânea.
Segundo o eng. silvicultor Silva Carvalho, a C. japonica terá sido introduzida em S. Miguel por José do Canto, experimentando-as nas suas terras, em meados do século XIX, para «tentar uma nova cultura ou adornar a paisagem». A primeira citação conhecida desta espécie do Extremo Oriente nos Açores é uma carta que José do Canto escreveu de Paris a José Jácome Corrêa, seu parente e grande amigo, em Novembro de 1863.
Inicialmente, utilizada para formar sebes de abrigo, desde os anos 50, nalgumas ilhas do arquipélago, alcançou grande valor económico pela sua madeira, passando, nos dias de hoje, a ser cultivada em explorações e viveiros florestais açorianos. A sua utilidade florestal evoluiu desde a sua plantação para sebe viva de abrigo na protecção contra a influência adversa dos elementos climatéricos, na compartimentação de parcelas de terreno, ou ainda para vedar o acesso a zonas de vertentes abruptas e para controlar a erosão em encostas de montes e outras zonas naturais como é o caso das ribeiras.
É muitas vezes referida separadamente de outras espécies florestais açorianas, pois tem um lugar marcado tanto na constituição das cortinas de abrigo, quando se pretende que estas sejam altas e destinadas a zonas afastadas da costa, ou quando cultivada em matas ou como abrigo em zonas de pastagem e até ao longo das estradas de altitude. Assim, além de excelente quebra-vento, (comportando-se melhor que o pinheiro bravo e a acácia) constitui uma importante fonte de receita.
Em 1947, foi feito o primeiro estudo sobre esta espécie, concluindo-se que continha maior quantidade de lenhina, de pentosanas e celulose.
O valor médio anual do volume de madeira de Cryptomeria japonica autorizada para corte no período de 1968 a 1993 foi de 64 634 m3, equivalente a 33 609 m3 de madeira serrada (52%). No caso de S. Miguel, a C. japonica é a espécie florestal mais importante (dados de 1991), com uma área de plantação de 10 600 m2, seguida da acácia com 4 140 m2, eucalipto com 220 m2, pinheiro com 50 m2 e outras espécies com um total de 300 m2 de distribuição florestal. Ana Costa (2002)
Bibl. Costa, C. (1950), Arvoredos dos Açores, algumas achegas para a sua história. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 11, 12, 16, 18, 22. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal. Lisboa, Sociedade Astória, I. Furtado, D. (1986), Açores, Fauna e Flora. Universidade dos Açores. Gonçalves, I. B. (1985), Subsídios para o planeamento florestal da Região Autónoma dos Açores. Estudos, Experimentação e Divulgação, 13. Machado, D. P. e Alpuim, M. S. M. ( 1961), A Criptomeria Japonica D. Don na ilha de São Miguel. Mais alguns estudos para o seu melhoramento. Estudos e Informação, 146. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Santos, H. J. A. (1961), Alguns dados para o estudo da produção em quantidade e qualidade de semente de Criptomeria Japonica D. Don. na ilha de São Miguel. Ibid., 149. Id., (1979), Subsídios para o estudo da Cryptomeria japonica D.Don na ilha de São Miguel Açores. Estudos, Experimentação e Divulgação, 9. Tutin, T. G., Burges, N. A., Chater, A. O., Edmondson, J. R., Heywood, D. H., Walters, S. M. e Webb, D. A. (eds.) (1993), Flora Europaea. 2ª ed., Cambridge University Press, I.
