Criação Velha

1 Freguesia do Concelho da Madalena, situada no extremo ocidental da ilha do Pico, a sul da freguesia da Madalena e a norte da de Candelária. Apresenta a forma de uma cunha estreita, entre o oceano e a alta vertente da montanha do Pico (1450 m de altitude), correspondendo a uma encosta de topografia regular, da qual se salientam pequenas elevações como os cabeços Gordo, das Cabras, do António Costa, do Manuel João, e do Tamujo, que são cones resultantes de erupções secundárias do edifício vulcânico do Pico. A costa é baixa, formada por uma arriba orlada de calhau. Em 1991 contava 753 habitantes, dos quais 384 homens e 369 mulheres, todos concentrados na sede da freguesia (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2002)

HISTÓRIA, ACTIVIDADES ECONÓMICAS E CULTURAIS Lugar muito antigo, já referido por Gaspar Frutuoso nas Saudades da Terra, crê-se que o seu nome estará relacionado com o tratar de gado, ocupação tradicional de muitos dos seus habitantes.

Pertenceu ao Concelho das Lajes do Pico antes da criação do de S. Roque em 1542, passando a pertencer ao da Madalena em 1723. Até 1799, data em que foi instituída a respectiva freguesia, esteve ligado à paróquia da Santa Maria Madalena, a que era sufragânea a sua primeira ermida, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, fundada em 1653 por Jorge Duarte Barra e consorte Maria de Utra de Faria, bem como a de Nossa Senhora das Dores, sua actual padroeira, erecta em 1782 por dote do casal Manuel Lourenço e Quitéria Maria.

A festa do orago celebra-se no primeiro domingo de Setembro.

No interregno de 18 de Novembro de 1895 a 13 de Janeiro de 1898, em que o concelho da Madalena esteve suspenso conheceu de novo o mando da Vila das Lajes.

A sua principal riqueza residia no passado na viticultura, donde se colhia o afamado vinho do Pico, conhecido por verdelho, sua casta essencial. Actividade introduzida nos primórdios do povoamento, praticamente em toda a ilha, teve o seu período áureo durante duzentos anos, incluindo a segunda metade do século XVII e a primeira do XIX, sendo o chão de lava basáltica, chamada de lajido da Criação Velha, o que sempre forneceu produto de melhor qualidade.

É dessa mesma região que provêm as uvas com que actualmente a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico fabrica os seus muito apreciados vinhos brancos.

Na Canada do Monte, assim tratada por ser nos velhos tempos o acesso directo àquele lugar da contígua freguesia da Candelária, os frades franciscanos capuchinhos possuíam uma grande vinha e, dentro da mesma, junto ao caminho, ergueram, aí por 1722-23, a sua pequena casa conventual, de que nada resta, adega e armazém. No pátio perfuraram o poço de maré mais afastado da costa e mais profundo que se conhece na ilha do Pico. Cilíndrico e de muita boa construção, ainda hoje é utilizada a sua água fresca e pouco salobra. Constitui ponto de paragem de atracção turística.

Na Criação Velha, tal como na generalidade das outras localidades picoenses, a pecuária representa, nos dias que correm, a principal fonte de receita, mas a viticultura e a fruticultura ainda ocupam muitos dos seus trabalhadores.

Tem no activo quatro pequenas instalações modernas, ainda que especializadas na laboração de queijo tipo artesanal, para consumo interno e colocação no exterior, com assegurada procura.

Mercê de extraordinária capacidade de trabalho, persistência e sacrifício, revolvendo, adaptando e regando com o próprio suor um solo escasso, áspero e por vezes ingrato, o povo da Criação Velha, por mérito próprio, guindou-se a uma invejável posição de desafogo no contexto picoense. Tomaz Duarte Jr. (Mar.2001)

2 Lugar da freguesia dos Fenais da Ajuda, concelho da Ribeira Grande, ilha de S. Miguel, situado no sopé sudoeste do pico da Criação. Em 1991 contava 51 habitantes, dos quais 21 homens e 30 mulheres (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2002)

Bibl. Instituto Nacional de Estatística (1991), XIII Recenseamento Geral da População. III Recenseamento Geral da Habitação. Dados definitivos. Lisboa, INE.