cravos-de-boa-esperança

um dos nomes vulgares de Nerine sarniensis (Amaryllidaceae). Nerine é uma palavra derivada do grego nereis, o nome duma ninfa do mar. É uma planta originária das costas da África do Sul, e que se tem adaptado em muitas zonas de clima suave, próximas do mar, e, livres de geadas. Foi introduzida na Europa no século XVII, em 1634, existia em Paris, nos jardins de Jean Morin. Introduzida nos Açores, adaptou-se nos velhos muros e torreões de pedra solta, onde encontra a drenagem que lhe é indispensável, e alimento nos musgos e terriços que se vão acumulando ao longo dos anos. São plantas bolbosas, de bolbo ovóide, de túnica castanho pálido; as folhas, geralmente seis, verde brilhantes, glabras, sem curvatura, aparecem depois das flores; as flores, protegidas na fase inicial por uma bráctea, 10 a 20, dispostas em umbela, na extremidade de um escapo floral de cerca de 45 cm, um pouco achatado, são rosa avermelhadas, iridescentes, perfumadas, mais ou menos zigomórficas, de corola afunilada, com seis lobos lanceolados, recurvados na extremidade, ligeiramente ondulados, pedicelos de 5 cm, estames com filetes erectos, ultrapassando a corola em mais de 1 cm, encarnados, brilhantes, anteras pálidas, estiletes rectos de 5 cm, ovário glabro, globoso, trilocular; fruto uma cápsula trilocular. Nos Açores as plantas existentes, são bastante semelhantes, segundo se nos afigura, pertencentes à mesma cultivar, mas existem nesta espécie, cultivares produzindo flores de muitas cores, escarlate, rosa em várias tonalidades, cor de ferrugem e branco puro. Afigura-se-nos que seria muito interessante experimentá-las nestas Ilhas, dado que é uma flor de corte de longa duração, bem cotada e muito decorativa. A multiplicação faz-se geralmente pela divisão dos macissos de bolbos, o que é um método muito moroso. A multiplicação in vitro e por divisão dos bolbos pelo método twin scalling foi experimentado, com bons resultados. Para obtenção de novas cultivares, trabalho efectuado principalmente no Reino Unido, tem sido usado o cruzamento, a propagação por semente e a selecção. Raquel Costa e Silva (Set.2001)

Bibl. Hertogh, A. e Nard, M. (1993), The Physiology of Flower Bulbs. Amsterdão, Elsevier Science Publisers: 559-588. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992), Londres, Macmillan Press, 3: 313-314.