cracas

Nome comum dos animais sedentários que, ao contrário do que à primeira vista parece sugerir, são crustáceos e não moluscos. Só em 1830, quando os seus estádios larvares foram descobertos é que foram incluídas nos crustáceos onde formam a subclasse Cirripedia, juntamente com os percebes. São exclusivamente marinhos e vivem sempre fixos a um substrato e por isso apresentam uma morfologia muito modificada relativamente aos crustáceos típicos. As suas conchas são geralmente brancas, amarelas ou acinzentadas frequentemente estriadas. A concha calcaria, é constituída por várias placas (quatro a seis, consoante a espécie) que formam um cone fixo na sua base mais alargada com uma abertura no vértice. Esta está equipada com outras quatro placas móveis que se podem abrir para permitir aos seus 6 pares de apêndices expandirem-se para fora da concha ou encerrar hermeticamente o animal na concha. Os apêndices ou cirros distendem-se para fora da concha para apanhar o alimento na coluna de água; processo que se repete ritmicamente. Estes animais são hermafroditas, mas a sua reprodução é cruzada e interna para o que possuem um longo pénis extensível que lhes permite fecundar indivíduos vizinhos a alguns centímetros de distância. Os ovos desenvolvem-se junto ao indivíduo parental e eclodem em larvas microscópicas, nauplius, à semelhança do que acontece com a maioria dos outros crustáceos. Estas larvas planctónicas vivem na coluna de água e transformam-se numa outra larva, denominada cypris que não se alimenta e procura um substrato adequado à sua fixação. Nessa altura fixa-se através de um cimento produzido por uma glândula associada às antenas e em poucas horas transforma-se numa pequena craca, que passará o resto da sua vida de cabeça para baixo.

Formam geralmente colónias de indivíduos numerosos sobre rochas, barcos, bóias e cabos imersos, bem como sobre outros animais como caranguejos e baleias. O seu tamanho pode atingir 75 mm. Muitas das formas conhecidas vivem na zona entre marés onde, algumas espécies, como por exemplo Chathamalus stellatus (Chthamalidae) são muito abundantes. Nos Açores é ainda possível encontrar nessa zona mais cerca de 6 espécies, muito menos abundantes, como Verruca spengleri (Verrucidae) e Tesserpora atlantica (Tetraclitidae) (Southward, 1998; Costa e Jones, 2000). Outras espécies como a comestível Megabalanus azoricum (Balanidae) vivem a maiores profundidades, cerca de 11 em zonas muito profundas na crista meso-atlântica na vizinhança dos Açores (Young, 1998a, b), sendo duas destas restritas a esta região (Young, 1998b). Ana Cristina Costa (Mai.2001)

Bibl. Costa, A. C. e Jones, M. B. (2000) The genus Tesseropora (Cirripedia; Tetraclitidae) from São Miguel, Azores. Arquipélago, Life and Marine Sciences, Supplement 2 (Part A): 71-78. Southward, A. (1998), Notes on Cirripedia of the Azores Region. Ibid., 16A: 11-27. Young, P. (1998a), Cirripedia (Crustacea) from the “Campagnes Biaçores” in the Azores region, including a generic revision of Verrucidae. Zoosystema, 20 (1): 31-92. Id. (1998b), Cirripeds (Crustacea) from the Mid-Atlantic Ridge collected by the submersible Nautile. Cahier de Biologie Marine, 39 :109-119.