Cozinhas Económicas

Estas instituições têm como objectivo fundamental distribuir gratuita e diariamente uma refeição aos pobres ou fornecê-la por preços módicos a outros necessitados. As receitas são geralmente provenientes de cotas de benfeitores, esmolas extraordinárias, legados, subsídios de organismos oficiais e privados, e ainda outras provenientes de bazares, quermesses, bailes, etc.

A mais antiga dos Açores é a de Angra do Heroísmo, instituição de caridade fundada a 17 de Abril de 1897. A maioria das fontes aponta como sua fundadora Maria Gulhermina de Bettencourt Mesquita, com o apoio de vários cidadãos locais, mas Oliveira Marques refere, no Dicionário da Maçonaria, que foi fundada pela loja União e Liberdade, nº 251. No período da I República, realizou muitos bailes na sala principal, denominada Salão Caridade, que lhe proporcionou receitas consideráveis. Tem funcionado em sede própria, construída para o efeito, mas as instalações foram repartidas com o Rádio Clube de Angra (RCA), quando entrou em funcionamento em 1949, mediante o pagamento de uma mensalidade. Em 1980, o edifício ficou bastante danificado e a Cozinha Económica cessou a sua actividade. Posteriormente, e após a saída do RCA, o edifício foi partilhado com o grupo de teatro Alpendre que nele se manteve até 2002, por protocolo assinado entre as partes. Os responsáveis pela Cozinha Económica pretendem, assim, retomar a assistência às camadas mais pobres da ilha.

A Cozinha Económica Micaelense foi fundada no dia 1 de Dezembro de 1901, com estatutos aprovados em 1918. Em 1987, passou a integrar o Instituto Margarida Chaves, que reuniu a Cozinha Económica, o Asilo Nocturno de Ponta Delgada e a Fundação Rouparia de Lima Fernandes. Esta última foi criada em 1955, com o fim de vestir e calçar os indigentes que recebiam alimento da Cozinha Económica e dos Asilos. Com a criação do Instituto, foram assim alargados os objectivos que levaram à fundação da Cozinha Económica, mas continua a servir refeições aos mais necessitados, principalmente crianças e jovens. Em 1998, fornecia cerca de 200 refeições diárias. O Instituto é subsidiado pelo Governo Regional.

A da Horta foi instalada no dia 30 de Julho de 1916, com o objectivo de fornecer refeições aos operários mais necessitados. Existiram também outras Cozinhas na Praia da Vitória e na Graciosa, de duração efémera. Carlos Enes (2002)