couve

designação atribuída a algumas plantas silvestres, diversos vegetais e plantas ornamentais, pertencentes à espécie Brassica oleracea (Cruciferae). Brassica foi um nome usado por Plínio. As Brassicas, cultivadas desde a Antiguidade para alimentação de pessoas e animais, têm sido tão intensamente hibridadas e seleccionadas, há tão longos anos, que se torna extremamente difícil fazer a classificação das muitas couves que actualmente se cultivam. Admite-se que pertencem à espécie Brassica oleracea, originária das costas ocidentais da Europa, onde ainda hoje existem Brassicas silvestres. São plantas anuais, bianuais ou perenes, por vezes subarbustos cuja altura pode variar de 60 a 250 cm, com base lenhosa e caule macio; a cor das folhas é frequentemente glauca, mas também pode ser branca ou azul, nalguns repolhos, ou variegadas de branco, rosa e púrpura, nas couves ornamentais; as dimensões e a forma das folhas são variáveis, mas são geralmente grandes, macias e suculentas, as inferiores lirado-penatissectas, as superiores, situadas na haste floral são ovado-lanceoladas, podem ter ou não as margens onduladas; a inflorescência é um cacho, inicialmente paniculado; as flores com quatro pétalas, têm cor amarelo pálido; o fruto é uma silíqua de 50-10 x 2-5 mm, linear, de secção redonda; sementes redondas. Dada a grande complexidade destes vegetais, é costume dividi-los nos seguintes grupos:

grupo acephala – das couves que não formam cabeça, como as couves-galegas ou cavaleiras. Algumas couves deste grupo podem atingir a altura de cinco metros. As folhas jovens são tenras e saborosas e podem ser colhidas durante dois ou mais anos. Também pertencem a este grupo as couves ornamentais.

grupo albo-glabra – das couves-chinesas e dos brócolos-chineses. São couves anuais, glabras, que podem atingir 90 cm, têm folhas espessas, as mais próximas do solo elípticas, podem atingir os 25 cm, as folhas superiores são oblongas e pecioladas.

grupo botrytis – da couve-flor e dos brócolos-perenes. Têm caules curtos e grossos; a inflorescência que é a parte comestível, forma uma cabeça terminal, excedendo as folhas.

grupo capitata – do repolho, repolho-de-Sabóia e couve-roxa. Têm caules curtos e as folhas formam uma cabeça terminal fechada.

grupo gemmifera – da couve-de-Bruxelas. Os caules atingem os 90 cm, simples, erectos; nas axilas das folhas, os gomos desenvolvem-se e formam repolhinhos que são a parte comestível deste vegetal.

grupo congylodes – da couve-rábano. Bienal, é cultivada como anual. Forma um tubérculo grande; as folhas são elípticas e podem atingir 25cm, com pecíolos longos. O tubérculo é a parte comestível e tem um sabor idêntico ao do nabo, mas suporta temperaturas mais elevadas, razão porque é cultivada em regiões quentes, ou na época estival.

grupo itálica – dos brócolos-italianos e da couve-flor-roxa. É semelhante ao grupo botrytis, mas as flores não se encontram concentradas numa única cabeça.

grupo tronchuda - da couve-portuguesa, couve-tronchuda, couve-penca. Couves anuais, de pequena altura; folhas grandes, carnudas, verdes, com nervuras brancas, salientes e pecíolos brancos, carnudos e tenros.

A cultura das couves pode fazer-se ao longo de todo o ano, desde que haja o cuidado de escolher uma cultivar que se adapte às condições da época. O ditado açoriano «se queres ver o teu marido morto, dá-lhe couves em Agosto», não tem razão... pois depende das couves escolhidas.

A propagação, faz-se por semente. A sementeira faz-se em canteiros de terra fértil, bem estrumada e bem trabalhada, em linhas a uma distância de cerca de 10 cm e a uma profundidade de 1-2cm. As couvinhas deverão ficar à distância de 5-10 cm, para se desenvolverem bem. No Verão, o canteiro deve fazer-se num lugar fresco, de Inverno, um estufim, poderá ser o melhor local. O desenvolvimento que deverão ter as plantas na transplantação, depende da variedade. A cultura não se deve repetir, no mesmo terreno, sem um repouso de pelo menos dois anos.

As pragas e doenças que podem atacar a couve são muitas: lesmas, caracóis, diversas lagartas, como a lagarta da couve que nasce dos ovos da borboleta branca (Pieris spp.), as pequenas lagartas que se aninham na página inferior da folha, debaixo duma teia de seda (Plutella xylostella), a lagarta acastanhada ou negra que penetra nos olhos das couves e dos repolhos (Mamestra brassica), as tripes (Thrips tabaci), os *afídeos (Brevicoyne brassicae e Mysus persicae), que não só danificam as folhas como podem ser transmissores de vírus, fungos como os oídios (Peronospora parasitica e Erysiphe cruciferarum), e Pyrenopeziza brassicae que provoca o aparecimento de anéis concêntricos brancos ou rosados, aos quais se seguem, nas zonas situadas entre as nervuras, nas folhas mais velhas, lesões empoladas, e, muitos outros. Os microorganismos do solo, principalmente em terrenos muito ácidos e mal drenados, podem tornar a cultura impraticável. O velho hábito de cultivar as couves junto ao muro, nos Açores, além de as abrigar dos fortes ventos desta região, também lhes proporciona a boa drenagem que lhes é essencial. As cultivares usadas nos Açores são em número reduzido, mas é perfeitamente viável incrementar o seu número e melhorar a qualidade da produção. Este vegetal é o mais importante na dieta do povo português, tradição que os açorianos conservam, tendo sido capazes de adaptar a sua cultura às condições particulares do arquipélago. Raquel Costa e Silva (Set.2001)

Bibl. Rocha, F.(1996), Nomes Vulgares de Plantas Existentes em Portugal. Lisboa, Direcção Geral de Protecção das Culturas: 324. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992), Londres, Macmillan Press, 1: 390, 435; 2: 730.