Coutinho, Ayres Pinto de Sousa
[N. Lamego, 12.5.1778- m. Leomil, ?.5.1836] De uma família da nobreza titulada, era filho do 1º visconde de Balsemão, seguiu a carreira das armas, sendo oficial general do exército, moço fidalgo com exercício no Paço, acrescentado de fidalgo escudeiro por alvará de 5.4.1799, do Conselho de D. João VI, por carta de 23.2.1802 e do Conselho Ultramarino por carta de 24.10.1803.
Foi nomeado governador e capitão-general da capitania do Maranhão a 15.2.1802 e dos Açores a 15.12.1809. Exerceu os cargos de inspector-geral das estradas do Porto e Coimbra, presidente da Junta de Obras Públicas no Porto e governador de Justiças da Relação e Casa do Porto.
Era cavaleiro da Ordem do Hospital e da Torre e Espada, medalha da Fidelidade, comendador da Ordem de Avis e comendador de Vila do Cano, no Alentejo e alcaide-mor da mesa vila e do couto de Cambeses, no Minho.
Foi o 6º capitão-general dos Açores, chegando a Angra nos começos de Setembro de 1810 e aí permanecendo até 1816. O seu governo, quando o período mais difícil da Guerra Peninsular e suas consequências no Atlântico já haviam passado, foi pacífico e correu sem atritos, desencadeando simpatias que levaram a um pedido para permanecer no cargo. Logo no início do seu mandato chegou a Angra a fragata *Amazonas com os exilados da Setembrizada deportados para as ilhas pela regência. Foram muito mal recebidos pelo novo governador, que se opunha ao seu desembarque por os considerar um perigo para o sossego público. Em certa medida não deixava de ter razão, pois com eles iniciava-se um agitado período da história insular com a divulgação e implantação das ideias liberais que, contudo, se desenvolveram principalmente a partir do consulado do seu sucessor, o general Francisco António de Araújo *Azevedo. J. G. Reis Leite (Jan.2001)
Bibl. Drumond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. 2ª ed., Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, III: 203e segs. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (s.d.), Lisboa-Rio de Janeiro, Ed. Enciclopédia, XXIX: 848. Maia, F. A. M. F. (1988), Capitães-Generais. 2ª ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada: 141
