Costas

Da ilha Terceira. Afonso Anes da Costa, pagem do infante D. Henrique, foi armado cavaleiro por D. Francisco de Castro, na sequência de feitos militares praticados em Santa Cruz do Cabo Gué, segundo documento passado em 18.2.1519 e confirmado por D. João III a 13.9.1527. Era natural de Tavira, e dos Costas desta vila, de cujo tronco descendiam os Corte-Real, capitães-do-donatário em Angra. Alguns genealogistas referem que teria mesmo adoptado o apelido Corte-Real, embora não descendesse de Vasco Eanes da Costa. Não o posso confirmar por não o ter encontrado em documentos coevos fazendo uso desse apelido. O certo é que casou com Catarina Borges Abarca, filha de João Borges, o velho, e de sua mulher Isabel Abarca, prima de Vasco Anes Corte-Real, 2.º capitão de Angra. Deste casamento descendem os Borges da Costa, uma das mais destacadas famílias fidalgas de Angra, de cuja governação fizeram parte durante gerações sucessivas. Os Borges da Costa, e seus ramos derivados, aliaram-se a grande parte da nobreza da Terceira, instituindo morgados e fundando boas casas de que existe geração actual.

Outro ramo de Costas da Terceira inicia-se com Domingos Fernandes da Costa, casado com Maria Minguens, suponho que na freguesia de Santa Bárbara dessa mesma ilha, e provavelmente no terceiro quartel do século XVI. Ele, e o seu próximo parente (irmão?) Belchior Fernandes da Costa, podem estar relacionados com Isabel Fernandes da Costa, casada com Jorge Martins, sendo que no assento do casamento de Filipa da Costa, filha deste último casal, celebrado a 19 de Setembro de 1575 na Sé de Angra, se refere que Isabel Fernandes da Costa era natural da freguesia da Conceição, em Lisboa.

Domingos Fernandes da Costa seguiu o partido de Filipe I de Portugal e foi colaborador local de D. Cristóvão de Moura, 1.º marquês de Castelo Rodrigo e 5.º capitão de Angra e S. Jorge. Nesta última ilha foi sargento-mor, e depois capitão-mor da vila das Velas, onde veio a desempenhar as funções de ouvidor (1590-1593) e procurador do capitão-do-donatário. A sua elevação a estes cargos, postos e ofícios, suscitou oposições por parte da oligarquia concelhia de S. Jorge, o que não o impediu de ser recompensado com o foro de cavaleiro fidalgo da Casa Real. O seu filho primogénito, o capitão Gaspar de Freitas da Costa, faleceu em 1637 sem geração. Por sua morte, os vínculos dos Fernandes da Costa (instituídos pelo capitão-mor Domingos Fernandes da Costa e sua mulher Maria Miguens) passaram para a irmã secundogénita, Ana de Bairros, mulher de António Dias Rosa e, depois, para uma filha deste último casal chamada Maria Rebelo. Esta Maria Rebelo veio a casar com o capitão Roque de Figueiredo, com geração que se extinguiu no almirante António d’Utra de Figueiredo. Foi então chamada à sucessão nos vínculos a linha da filha mais nova de Domingos Fernandes da Costa, Paula de Freitas da Costa, casada com Gaspar Lourenço Machado, na pessoa de um dos seus netos, o capitão João Teixeira de Freitas, morador na Fajã (?), ilha de S. Jorge.

Belchior Fernandes da Costa casou em Santa Bárbara, ilha Terceira, nos meados do século XVI, com Inês Pires (Toledo), filha de Gaspar Gonçalves Tristão e de sua mulher Margarida Pires de Toledo. Dentre a sua numerosa geração destacou-se a descendência de sua filha Maria Fernandes da Costa (ou de Toledo) que casou na mesma freguesia a 14 de Junho de 1598 com o capitão Pedro Lourenço Machado, filho de Antão Martins Fagundes e de sua mulher Bárbara Dias Vieira, e a do filho primogénito, António Fernandes da Costa, que se vieram a ligar aos Furtados Lemos de Faria, Carvalhal Borges, e Vieiras Coelhos, com geração actual. Manuel Lamas (2002)