Costa & Martins, Lda.

No espaço de outra que a precedeu, esta casa de atacado – como então se tratava um armazém de vendas por grosso – foi criada por escritura pública de 22 de Janeiro de 19 l 2.

Sociedade por quotas do género familiar, desaparecidos os dois fundadores que lhe deram o nome, continua na posse de descendentes de outros que entretanto foram admitidos no respectivo pacto, num prestimoso percurso que se aproxima dos cem anos de actividade ininterrupta.

Quando a ilha era fornecida por dois vapores da carreira Portugal, Madeira e Açores, com periodicidade quinzenal, os negócios desta linha, a par do interesse que os movia, constituíam um benefício de grande alcance social porque garantiam o abastecimento dos bens mais necessários à subsistência das populações. Estas eram servidas em todas as freguesias por botequins ou pequenas mercearias que, sem capacidade de aprovisionamento directamente do exterior, se socorriam dos estabelecimentos que arrecadavam existências em quantidade e variedade para consumo, mormente no ramo alimentar.

Num meio limitado, era sempre reduzido o número de empresas em competição que se dedicava ao comércio de revenda. No caso do Faial, para poderem sobreviver, faziam também praça nas ilhas do Pico e Flores, que na altura só dispunham de retalhistas.

Depois do terramoto de 31 de Agosto de 1926, que arruinou a cidade da Horta, a firma abalançou-se à construção de raiz de um amplo e moderno edifício, inaugurado em 1928, iniciativa saudada pela imprensa, onde ainda funcionam os seus escritórios e uma renovada loja de vendas.

Costa & Martins, Lda., para se poder expandir, enveredou por outros sectores a partir de 1939, vindo igualmente a lucrar com o extraordinário movimento verificado durante os anos da II Grande Guerra Mundial, com a presença de milhares de militares para defesa da ilha, da esquadra e efectivos da Base Naval aliada e por via das escalas dos hidroaviões da aviação comercial pela baía da Horta.

Daquela data é a constituição de duas empresas faialenses relacionadas com a caça aos cachalotes que abundam nas águas quentes dos Açores: Reis & Martins, Lda., armação baleeira e Sociedade Industrial Marítima Açoriana, Lda., instalação transformadora. Em ambas Costa & Martins, Lda. detinha posição maioritária. A SIMAL, como era abreviadamente chamada, foi a primeira a ser lançada dentre as cinco unidades febris da especialidade que existiram nos Açores. Seguiram-lhe os passos duas no Pico, uma em S. Miguel e outra nas Flores.

Pioneira das novas tecnologias introduzidas na altura, a Fábrica da Baleia de Porto Pim, além do disputado óleo para a indústria e outras exigências do esforço de guerra, produzia farinhas a partir da carne e dos ossos dos cetáceos muito procuradas para alimentação de animais e como adubo.

Por imposições de ordem legal, como medida de protecção das espécies em vias de desaparecimento, as duas explorações, captura e aproveitamento, findaram em 1975.

Para prosseguir, uma vez mais teve que derivar para outras modalidades de comercialização, como a representação de produtos de gama nascente. Instaladas as grandes superfícies de distribuição, cada vez menos se justificam as antigas “casas de atacado”, pelo que actualmente se processa uma permanente adaptação a outras oportunidades para permanência no mercado. Tomaz Duarte Jr. (Fev.2001)