Costa, José Rafael da
[N. Chaves, 1804 m. Angra, 31.8.1836] Foi voluntário em Cavalaria 11, em 1820, alferes em 1820, tenente de infantaria em 1827, capitão graduado para o Estado-Maior em 1832 e capitão em 1835.
Fez o curso do Real Colégio Militar e o primeiro ano do curso de Física e Química, mas não o completou devido à «usurpação», emigrando em 1828 para Plymouth, indo daí para a Terceira, onde desembarcou a 7 de Março de 1829, ficando às ordens do director das fortificações da ilha Terceira e trabalhando, em 1830, nas fortificações da Vila da Praia. Participou na acção de 21 de Agosto de 1829, naquela vila, e em 1832, na conquista de S. Miguel. Incorporado no Exército Libertador, foi encarregado das fortificações do Carvalhido, integrado no Corpo de Engenheiros, mas em finais de 1832 regressou à Terceira como capitão graduado para o Estado-Maior do Comando dos Açores. Esta opção prejudicou-o na pretensão de ser incluído no Real Corpo de Engenheiros, mesmo sem as habilitações completas e não sendo atendido numa promoção por distinção, uma vez que abandonara a luta no Porto.
Distinguiu-se como jornalista e redactor do jornal A Sentinela Constitucional, em Angra, a partir de 1835, o primeiro jornal cartista da Terceira. Usava uma prosa virulenta e era um temível polemista, o que serviu de desculpa para o prefeito proibir a impressão de jornais políticos na imprensa do governo.
Em 1836, por ordem de 5 de Agosto, foi dispensado do serviço na Repartição de Obras Militares de Angra, a fim de ser empregado num lugar civil às ordens do barão de Cacela, entretanto nomeado governador civil do distrito. Como «homem de mão» do novo governador, que estava apostado em destruir os reformistas, futuros setembristas, seus inimigos políticos, suscitou os maiores ódios, que levaram ao seu assassinato. J. G. Reis Leite (Fev.2001)
Fonte. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), Cx. 146.
Bibl. Pinheiro, J. J. P. (1981), Introdução da Imprensa nos Açores. Arquivo dos Açores, 2.ª ed., Universidade dos Açores, VIII: 485 e segs.
