Costa, Fernando Astolfo da

[N. Angústias, Horta, 21.3.1870 – m. Lisboa, 31.1.1928] Militar do Exército. Filho de António Bernardo da Costa e de Rita Jesuína da Costa. Alistado como voluntário no Regimento de Infantaria n.º 16 foi incorporado em Novembro de 1889. Com o curso da Arma de Infantaria, foi, sucessivamente, promovido a alferes (1896), tenente (1902), capitão (1906), major (1915), tenente-coronel (1917) e coronel (1922). Em 1927 foi julgado incapaz para o serviço activo e colocado na situação de reserva.

Em 1898, foi destacado para Moçambique. No ano seguinte fez parte da expedição do Niassa e tomou parte nas operações ao Quamba, nomeadamente em Mocuna, Metarimba, Mataca, Livambala, Nagama, Namatanda e Luangua. Regressou a Portugal em Dezembro deste ano. Em 1900, voltou a Moçambique nomeado ajudante de campo do governador geral. Nessa circunstância fez parte da missão diplomática encarregada de ir a Pestemariteburg cumprimentar SSAA os Duques York pela sua vinda à colónia do Natal. Em 1903 foi servir na Guarda Fiscal, mas regressou ao Exército por ter sido requisitado para desempenhar funções de ajudante de campo do governador-geral de Angola (1904-1906). Em 1907, voltou a Angola e então fez parte da coluna móvel de polícia que realizou as operações militares de ocupação efectiva no concelho de Ambriz (Novembro a Dezembro). Em Fevereiro do ano seguinte foi nomeado comandante do Depósito Geral de Degredados e Governador da Fortaleza de S. Miguel. Ainda neste ano, comandou a coluna encarregada das operações militares de polícia executadas na residência de Santo António do Zaire (distrito do Congo). Regressou à metrópole em 1909. Em Dezembro de 1912, voltou a Moçambique onde, entre outras missões, colaborou nos estudos e na construção do caminho-de-ferro mas, em Janeiro de 1915, desistiu da comissão de serviço no ultramar e regressou à metrópole.

Em 1927, quando chefe do Distrito de Recrutamento e Reserva n.º 1, foi autorizado a prestar serviço na Repartição do Gabinete do Ministério do Interior tendo em vista encarregar-se de todos os assuntos relativos ao terramoto de 31 de Agosto de 1926, na ilha do Faial.

Foram-lhe atribuídos vários louvores e condecorações entre elas a de cavaleiro da Antiga e Muito Nobre Ordem da Torre e Espada de Valor Lealdade e Mérito (Ordem do Exército, n.º 17, 2.ª série, 11 de Agosto de 1900).

Na sessão ordinária de 23 de Janeiro de 1930, a Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Horta atribuiu à então denominada rua n.º 4 do bairro Mouzinho de Albuquerque, o nome – Rua Coronel Astolfo Costa – «ilustre filho desta terra, já falecido que por ocasião do terramoto muito fez em Lisboa, junto dos poderes públicos, em favor dos seus patrícios atingidos por aquela catástrofe» (Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta, Câmara Municipal da Horta, Vereações, Liv. 73, fls. 15-15v). Luís M. Arruda (2006)

Fonte: Arquivo Histórico Militar (Lisboa), Cx. 1635. Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta, Câmara Municipal da Horta, Vereações, Liv. 73.

 

Obra: (1909), Relatório das operações militares de polícia executadas na residência de Santo António do Zaire. Luanda, Luanda Nacional.