Cossaco, André

 [ N. Irlanda, 1639- m. Angra, 28.4.1702] Veio muito novo para Portugal, alistando-se no exército e destacando-se na guerra da Restauração. Acabada esta em 1668, passou à corte como capitão intertenido, que ocupou até 1674, recebendo nessa data o hábito de Cristo e uma tença. Foi sucessivamente provido em ajudante de tenente-general e tenente-general na Praça de Baía, em 1690 e, logo de seguida, em mestre-de-campo daquela praça. Aspirava ao governo do Rio de Janeiro, que exerceu interinamente, mas este foi-lhe negado, por ser estrangeiro. Magoado, regressou ao reino para tratar deste caso na corte, tendo aí pedido o governo do castelo de S. João Baptista, mas como este estava ocupado, ofereceram-lhe o governo da Madeira, que recusou por não pretender um governo político. Com o pedido de demissão do governador do castelo, foi então provido no cargo por carta de 24.5.1697. Chegado a Angra, procedeu no governo com moderação, mas diz Maldonado que foi sempre visto com desconfiança, que não lhe guardavam respeito por ser estrangeiro. Foi zeloso do seu castelo e conseguiu melhoramentos na fortaleza e nos fornecimentos de armas. Foi o último governador que governou as ordenanças de Angra, por um curto período, até a confirmação do novo capitão-mor. Morreu envenenado. J. G. Reis Leite (Jan.2001)

Bibl. Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (Lisboa)(a), Chancelaria da Ordem de Cristo, carta do governador do castelo, 24.5.1697, liv. 60, fl. 395. Maldonado, M. L. (1991), Fénix Angrense. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II: 694 e segs.