correios postais (história dos)
Embora dependentes do estado do mar e das respectivas ligações marítimas irregulares, os Açores nunca deixaram de enviar e receber correspondência do exterior desde as épocas mais recuadas. Contudo, a estrutura dos Correios levou muito tempo a concretizar-se.
Correio Marítimo A primeira legislação sobre esta matéria que se conhece para os Açores reporta-se ao alvará de 20 de Janeiro de 1798 e enquadra-se numa reforma feita naquele ano em que se abolia o cargo de correio-mor, criado em 1520, incorporando-se na Coroa os serviços de Correios. De acordo com aquele alvará, estabeleciam-se paquetes regulares para correspondência entre o Reino, Brasil, Açores e Madeira, tendo as autoridades locais sido avisadas para organizarem o correio nos Açores, com os seus competentes ofícios. Mas o projecto não deve ter dado grandes resultados por falta de transportes. Em 1821, pelo decreto de 17 de Março, foram restabelecidos os correios marítimos entre Portugal e ilhas, com viagens mensais, em pequenas embarcações. Para o efeito, foram postos ao serviço alguns brigues, mas em 1834 (25 de Janeiro), D. Pedro IV respondia a uma representação insular para se renovar o estabelecimento dos correios marítimos, ordenando a prontificação de dois iates, com serviço quinzenal. Em 1838, (portaria de 23 de Abril) os correios dos Açores e Madeira foram anexados à Administração Geral dos Correios. Para esta data, existe documentação que refere uma arrematação do rendimento dos correios no distrito de Angra e, no ano seguinte, a existência de uma estação. De facto, até 1852, altura em que se procedeu a uma reforma no serviço dos Correios e se introduziu o selo postal, todo o serviço era muito irregular. Com esta legislação (dec. 27 de Outubro), os capitães e mestres das embarcações eram obrigados a receber mala, devendo declarar no correio, com antecedência, o dia, a hora de saída e o destino. A partir de 1857, começaram a estabelecer-se carreiras marítimas mais regulares que estabilizaram, em 1871, com a Empresa Insulana da Navegação. Por contrato renovável feito com o Estado, a Insulana era obrigada a transportar a mala do correio e encomendas postais (1896), que cumpriu até à sua extinção em 1975. Ficaram, assim, asseguradas as ligações de quase todas as ilhas, ao Reino.
A ligação com o estrangeiro fez-se com mais frequência através das baleeiras americanas, dos navios do comércio da laranja e mais tarde com os Carregadores Açorianos, para o Norte da Europa.
Entre as ilhas, a distribuição era feita através das lanchas e iates, que eram obrigados a levar mala do correio. A permissão (31.3.1873) do uso de vales de correio nas ilhas, que já era aplicada no continente, veio beneficiar significativamente as transações comerciais.
Uma forma original de distribuição do correio marítimo tem sido utilizada nas ilhas, através das chamadas bóias. A correspondência era lançada pelos navios, quando não tocavam os portos dos Açores, dentro de uma bóia, sobre uma pequena jangada, que depois era geralmente recolhida pelos pescadores e entregue nos correios. Junto com a correspondência, era colocado o dinheiro para o pagamento das taxas postais e algumas ofertas para os que recolhessem as bóias.
Correio Aéreo A parir dos anos 20, os Açores passaram a ser ponto de escala da navegação aérea. Em 1939, a Pan American estabeleceu voos regulares entre a Europa e a América, com escala na Horta, transportando também correspondência. A abertura do aeroporto de Santa Maria, em 1942, veio reforçar as ligações com o estrangeiro. No país, em 1962, foram inauguradas as ligações Lisboa-Santa Maria que se estenderam, em 1971, às Lajes e Ponta Delgada e, em 1985, à Horta. Na região, o início das operações da SATA, a partir de 1947, acelerou a distribuição do correio pelas várias ilhas. Com o incremento das ligações aéreas, o correio marítimo foi entrando, gradualmente, em declínio.
Correio Terrestre Não se conhecem informações detalhadas que permitam o estudo da evolução dos correios por via terrestre. O processo variou muito de ilha para ilha, mas no século XIX as cidades e algumas vilas já tinham os correios organizados. Data de 1876, a informação de exames para os primeiros carteiros que houve em Ponta Delgada. Se, nas cidades, a distribuição começou mais cedo a ser feita por carteiros, para os meios rurais o processo foi mais moroso. Numa primeira fase, o serviço dos correios era arrematado pelo menor preço por pessoas que se encarregavam da sua distribuição. Percorriam determinadas áreas, a pé, de burro ou em carroça, utilizando-se, por vezes, o sistema de estafetas. Surgiram depois os Carrões da Mala, na segunda metade do século XIX, em S. Miguel, e as camionetas, conhecidas por Carros da Mala que funcionavam nas ilhas principais. Já no século XX, a correspondência era também levada em camionetas de transporte de passageiros. Durante muitos anos, a correspondência era deixada em casas particulares ou mercearias, onde era levantada pelos destinatários. Os carteiros, nos meios rurais, são um fenómeno recente, que se foi alargando a partir de 1950. Em termos de infra-estruturas, a maior parte dos edifícios existentes são posteriores a 1940, e estão hoje espalhados por todas as cidades, vilas e algumas freguesias rurais. Até então, funcionavam, maioritariamente, em edifícios com condições precárias. À medida que ia aumentando a correspondência e cresciam os aglomerados populacionais, as câmara municipais foram obrigadas a colocar placas toponímicas e as casas a terem o chamado número de polícia. Em 1979, foi criada a Direcção Regional dos Correios dos Açores. Carlos Enes (Fev.2001)
Bibl. Afonso, J. (1962), Correios de outros tempos. Diário Insular, Angra do Heroísmo, 11 de Março. Cardoso, E. (1999), História dos Correios em Portugal em datas e ilustrada. Lisboa, ed. do autor. Ferreira, M. (1997), Os Correios nos Açores. Ribeira Chã, Centro Social e Paroquial da Ribeira Chã, Nova Gráfica, L.dª. Gaspar, M. V. (2000), As Bóias de Correio no mar dos Açores e Outras Histórias. Ponta Delgada, Núcleo Filatélico O Milhafre, 2 vols.
