Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico
Desde os primeiros povoadores, a ilha do Pico sempre foi conhecida pelo seu afamado vinho, saboreado pelas cortes europeias e alvo de referências literárias, como aconteceu com Tolstoi. Num banquete da Ordem de Malta em 1797, na lista de vinhos servidos, lá se encontram duas referências ao vinho da ilha do Pico, o Pico Seco e o Pico Amoroso. Era um vinho produzido a partir da casta verdelho e atingiu uma alta qualidade, mantida até meados do século XIX, quando o oídio e a filoxera devastaram grande parte dos vinhedos. Apesar da fácil americanização, com a importação do produtor directo responsável pelo conhecido vinho de cheiro, houve alguns focos de resistência no Pico - e esta resistência fez cultura, no sentido duplo da produção e das manifestações de um povo -, e o vinho branco foi perseverantemente preservado, em zonas de lajido, sobretudo na freguesia da Criação Velha e na vila da Madalena. Foi e continua a ser, como alguém lhe chamou, o solar do verdelho, aquele espaço de terra que liga a Criação Velha à Areia Larga, onde em 1961, a Junta Nacional do Vinho, reconhecendo o potencial vinícola da ilha, mandou construir o edificio da Cooperatica Vitivinícola da Ilha do Pico (CVIP).
Do que restava do verdelho, acrescentado às castas arinto e terrantez, a CVIP produziu um vinho licoroso branco que todos apreciavam, mas não trazia rendimentos para os seus associados que tornasse interessante a sua produção. Por isso, na década de 70, produzia-se, na CVIP, vinho de cheiro, embora mais tratado, para aumentar a capacidade comercial e fazer face aos custos de vida, indo de encontro aos consumos então em voga. A entrada de Portugal na Comunidade Europeia obrigou ao desaparecimento do produtor directo, por razões de saúde, e optou-se por uma grande reestruturação da vinha, com a introdução de castas europeias. A par da euforia da substituição das castas, houve também uma valorização da cultura das castas tradicionais e o vinho branco do Pico reconquistou o seu antigo prestígio, assente na trindade resistente do arinto, terrantez e verdelho e assim, naturalmente, em 1994, surgiu a Região Demarcada do Pico, cujo produto é o um Vinho Licoroso de Qualidade Produzido Em Região Determinada (VLQPRD ) - o Lajido, nome, felizmente tomado na zona costeira da Criação Velha onde é generosamente produzido, numa manta tecida de currais e canadas, formando um rendilhado único no mundo e constante dos interesses da UNESCO, como património mundial da humanidade. Em todo este esforço, foi determinante a acção da CVIP, que se lançou na produção de vinhos de mesa, desde 1994, e com evidente sucesso, como são os casos de Terras de Lava, vinho branco e Basalto, vinho tinto.
A CVIP foi constituída por alvará ministerial de 15 de Fevereiro de 1950, tendo havido actualização dos estatutos em 1983, por força de nova legislação e tem a sua sede na vila da Madalena, na Avenida Nunes da Rosa. Dos 712 sócios registados, 221 estão em pleno uso dos seus direitos e colocam as suas uvas na CVIP, para lá serem transformadas no vinho verdelho e nos diferentes vinhos de mesa. Em 2000, foram produzidos pela CVIP 19.840 l de vinho VLQPRD (Lajido); 10.000 l de vinho de mesa derivado do verdelho (Cavaco Branco); 134.000 l de castas europeias brancas (Terras de Lava); 32.500 l de vinho de castas europeias tintas (Basalto); 124.500 l de vinho de cheiro(Cavaco Tinto) (em fase de extinção). Manuel Tomás (Abr.2001)
