congrídeos
Nome dado aos peixes marinhos da família Congridae. Segundo Bauchot e Saldanha (1986) os indivíduos desta família têm o corpo muito alongado, geralmente em forma de serpente, sem escamas; olhos bem desenvolvidos; narina anterior abrindo próximo da extremidade do focinho, num tubo mais ou menos flexível; narina posterior próximo do bordo anterior do olho; dentes cónicos ou incisiformes; barbatanas dorsal e anal confluindo com a caudal; barbatanas peitorais presentes mas pélvicas ausentes.
Bênticos, sobre a plataforma ou o talude continental. Carnívoros, alimentam-se, principalmente, de peixes.
Para os Açores estão registadas as espécies Arisoma balearicum, por Albuquerque (1954-56), como A. balearica, Conger conger, por Drouët (1861), como Mureana conger, Paraconger macrops, por Hilgendorf (1888), como Conger macrops e Pseudophichthys splendens, por Roule (1915), como P. latedorsalis.
A ocorrência de A. balearicum, por Albuquerque (1954-56), baseia-se em Fowler (1936) que menciona um leptocéfalo (Leptocephalus congrimuraena balearicae) capturado ao largo dos Açores (latitude 38º 58' N, longitude 45º 59' W, cf. Roule, 1919). Todavia, a espécie tem sido referenciada em observações subaquáticas (cf. Wirtz, 1994 e Santos et al., 1997). Os indivíduos desta espécie, segundo Bauchot e Saldanha (1986), têm o corpo em forma de serpente, não muito comprimido, excepto na extremidade caudal; ânus ligeiramente anterior ao ponto médio do corpo; olhos grandes, espaço inter-orbital muito estreito; narina posterior em forma de poro oval, a meia distância entre o olho e a narina anterior; focinho ligeiramente proeminente, bordo labial não muito desenvolvido; dentes cónicos, agudos, cardiformes, em ambas as mandíbulas, sendo os prémaxilares mais longos, visiveis, em parte, quando a boca está fechada. Ocorrem no Mediterrâneo, no Atlântico Oriental, no Mar Vermelho e no Oceano Índico Ocidental.
Os indivíduos da espécie Conger conger, conhecidos vulgarmente por *congro (ICN, 1993) ou safio quando jovens (Ferreira, 1938), têm o corpo em forma de serpente, ligeiramente comprimido anteriormente, mas bem comprimido posteriormente ao ânus, situado antes do ponto médio do corpo; perfil da cabeça convexo, deprimido sobre os olhos, pequenos; narina posterior em forma de poro oval, anterior e próxima do olho; focinho ligeiramente proeminente; rebordo labial muito largo; em ambas as maxilas, uma fiada mais exterior de dentes incisiformes, muito grandes, formando um bordo cortante, e uma fiada mais interior de dentes cónicos e agudos, pequenos; dentes cónicos, grandes, sobre o prémaxilar e o vomer. Bênticos, ocorrem em fundos rochosos ou de areia até 100 m de profundidade. Ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico, desde a Noruega e Irlanda até ao Senegal (Bauchot e Saldanha, 1986) .
Paraconger macrops é uma espécie cujos indivíduos, conhecidos vulgarmente por ortiga (Collins, 1954; Santos et al., 1997) ou *congro-da-areia (Santos et al., 1997), apresentam corpo alongado, cilíndrico anteriormente ao ânus, em posição avançada relativamente ao ponto médio do corpo, progressivamente comprimido posteriormente; narina posterior em forma de poro oval, ligeiramente franjada, a meia distância entre o olho e a narina anterior; boca moderadamente grande, com rebordo labial muito desenvolvido; em ambas as maxilas uma fiada exterior de dentes incisiformes formam um bordo cortante, com uma fiada mais interior de dentes cónicos, também presentes no vomer e no prémaxilar, os últimos visíveis quando a boca está fechada; barbatanas dorsal e anal confluentes com a caudal, suportadas por raios não segmentados. Bênticos, ocorrem em áreas rochosas e arenosas entre 30 m e 100 m de profundidade; enterram-se no sedimento durante o dia e nadam, activamente, durante a noite em busca de presas. Espécie conhecida dos Açores e da Madeira na área clofnam (Bauchot e Saldanha, 1986).
Segundo Saldanha (1981), dois indivíduos capturados com cana de pesca, à noite, junto a Ponta Delgada, em Setembro de 1980, sobre fundos arenosos, a 30 m de profundidade, apresentavam: 48 e 49 poros da linha lateral, à frente do ânus; 1 e 0 poros na comissura supratemporal; e 144 e 145 vértebras, não incluindo os ossos hipurais, contadas sobre radiografias. No momento da captura, os animais tinham cor geralmente trigueira-esbranquiçada, mais escura dorsalmente, com os lados e a cabeça prateados; a barbatana dorsal apresentava uma banda castanha, longitudinal, a meia altura, e o início da anal uma mancha castanha.
Na espécie Pseudophichthys splendens o corpo é semelhante a serpente, sem escamas, bem comprimido, parte caudal afilando, progressivamente, para um ponto; cabeça mais ou menos cilíndrica, com o perfil dorsal quase recto, espaço inter-orbital estreito, convexo; narina anterior abrindo num poro com um ligeiro bordo; narina posterior em forma de poro oval próximo da margem anterior do olho; focinho alto, ligeiramente proeminente; rebordo labial ausente na mandíbula superior; poros mucosos grandes sobre a margem do lábio superior, sobre a extremidade do focinho e sobre o queixo; em ambas as maxilas, dentes longos e aguçados, formando bandas largas; aberturas branquiais laterais, em forma de crescente; barbatanas dorsal e anal confluentes com a caudal, suportadas por raios segmentados. Bêntica, vive sobre fundos lodosos até profundidades superiores a 1000. Ocorre no Atlântico Norte Oriental (Bauchot e Saldanha, 1986). Luís M. Arruda (2002)
Bibl. Albuquerque, R. M. (1954-56), Peixes de Portugal e ilhas adjacentes. Chaves para a sua determinação. Portugaliae Acta Biologica, (B), 5. Bauchot, M.-L. e Saldanha, L. (1986) Congridae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 567-574; Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Drouët, H. (1861) Éléments de la faune açoréenne, Mémoires de la Société Académique de l'Aube, 25: 245. Ferreira, E. (1938), Ápodes dos Açores. Açoreana, 2, 1: 1-14. Fowler, H. W. (1936), The marine fishes of
