Conferências Administrativas (distritais e insulares)
Dando continuidade ao espírito que havia conduzido à realização do *Congresso Açoriano, em Lisboa (1938), e à *Conferência Económica da Horta (1939), promoveram-se outros encontros com objectivos semelhantes: estudar os problemas distritais ou insulares, nas áreas mais diversas, e apresentar ao governo propostas concretas com vista à resolução dos mesmos; coordenar as actividades das Câmaras Municipais com as Juntas Gerais de forma a aperfeiçoar os serviços e recolher dados para futuros estudos ou reformas.
No distrito de Ponta Delgada, realizou-se entre Maio de 1948 e Maio de 1950, a I Conferência da Administração Pública Distrital, por iniciativa do governador civil. Durante estes dois anos, foram efectuadas várias conferências em Ponta Delgada e nas sedes dos concelhos, onde foram analisados diversos aspectos da vida económica e social do distrito. Em Setembro de 1949, coube ao distrito de Angra realizar a I Conferência Administrativa, também por iniciativa do governador, cujos trabalhos decorreram em seis sessões. Uns anos depois, em Julho/Agosto de 1954, realizou-se outra, de âmbito regional, em Ponta Delgada. Nesta I Conferência Insular Açoriana, reuniram-se delegados dos três distritos, com objectivos semelhantes aos das anteriores conferências. Em 1956, esteve prevista a realização de uma segunda Conferência que foi adiada à última hora «para data a fixar oportunamente» mas que nunca se concretizou. Contudo, o programa e alguns dos trabalhos a ela destinados foram publicados no *Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais, nº 24. Em 1970, representantes dos três distritos açorianos e ainda do Funchal reuniram-se nesta cidade, no mês de Maio e, posteriormente, em Setembro, em Ponta Delgada, com o objectivo específico de actualizar o Estatuto Administrativo, advogando o alargamento das receitas e as atribuições das Juntas Gerais. Esta Cimeira Insular já tinha tido uma primeira versão, de âmbito mais restrito, nos finais de 1922, num encontro realizado no Funchal, com representação de S. Miguel e um observador por Angra do Heroísmo. O saldo destas iniciativas acabou por não trazer resultados palpáveis, porque o Poder Central se limitou a intervenções muito pontuais. Carlos Enes (2002)
Bibl. (1956), Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais, 24: 106-167. (1957), Conferência Insular Açoriana. Lisboa, C. de Oliveira Lda. Eds. Forjaz, C. (1950), A I Conferência Administrativa do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo Cinco Anos de Administração Pública. Angra do Heroísmo, Tip. do Diário Insular.
