cone vulcânico
A expressão cone vulcânico ou apenas cone é normalmente utilizada para designar uma edificação vulcânica, frequentemente de forma cónica, resultante da acumulação de materiais piroclásticos ou, mais raramente, de derrames lávicos em torno de um centro eruptivo no decurso de uma única erupção (edificações monogenéticas). Outras designações equivalentes são cone de escórias ou cone de cinzas (scoria e cinder cones).
Estas formas vulcânicas, normalmente de pequenas dimensões, podem formar-se no decurso de erupções havaianas e estrombolianas subaéreas de lavas de composição basáltica ou ligeiramente mais evoluída (havaítica, mugearítica, etc.). As erupções basálticas subaquáticas (normalmente submarinas) que ocorram a pequena profundidade (< 200 m) originam também edifícios cónicos (tuff rings e tuff cones).
Os cones ocorrem isolados, agrupados, alinhados sobre fracturas ou sob a forma de estruturas adventícias de grandes vulcões. As erupções que os originam apresentam duração que varia de dias a anos, embora a duração oscile normalmente entre um mês e menos de um ano.
Estas formas vulcânicas são constituídas por acumulações de bombas, blocos, escórias, lapili (bagacina) e cinzas que formam camadas concêntricas inclinadas para o exterior. Muitas vezes, alguns destes materiais encontram-se soldados (aglutinados) devido ao facto de ainda se encontrarem a temperaturas muito elevadas e portanto pastosos quando caíram em torno da cratera.
A sua forma é frequentemente sub-circular em planta, embora as formas alongadas sejam também bastante comuns quando a erupção se desenvolve ao longo de uma conduta fissural (filão). A parte superior é caracterizada pela presença de uma cratera em forma de cone invertido que se adoça com o decorrer do tempo pela queda de materiais das paredes.
O diâmetro da base dos cones subaéreos (formados fora de água) é frequentemente de dimensão hectométrica, podendo, no entanto, variar entre algumas dezenas de metros e cerca de 2,5 km. A sua altura corresponde em média a 20% do diâmetro da base, enquando que o diâmetro da cratera ronda 40% daquele parâmetro. O declive das vertentes externas pode atingir os 33º.
Os cones edificados no decurso de erupções subaquáticas caracterizam-se por apresentar menores crateras e maior altura, proporcionalmente ao diâmetro da base, que os cones subaéreos.
Algumas erupções de composição ácida (por exemplo de lavas traquíticas) podem formar cones de pedra pomes em torno do centro eruptivo, muito embora estas formas sejam muito menos comuns que os cones basálticos.
Nos Açores, os cones vulcânicos são muito abundantes, predominando aqueles resultantes de erupções havaiano-estrombolianas. Ocorrem associados a áreas caracterizadas por vulcanismo fissural ou como cones adventícios dos grandes edifícios vulcânicos. No primeiro caso podem citar-se os exemplos da região central da ilha de S. Jorge, da região oriental do Pico, ou do complexo dos Picos em S. Miguel (entre o Vulcão de Água de Pau e o Vulcão das Sete Cidades).
Os cones submarinos (formados por erupções do tipo surtseiano) podem encontrar-se no litoral de quase todas as ilhas, constituindo ilhéus ou encostados à ilha. Este tipo de cone pode ser exemplificado pelos cones do Ilhéu de Vila Franca, Monte Brasil, Ilhéus das Cabras, Vulcão dos Capelinhos, Morro das Velas, Ilhéus da Madalena, etc. José Madeira (2002)
