Conde, José
[N. Peabody, Massachussets, E.U.A., 16.7.1920 - m. Lisboa, 1.10.1995] Médico. Quando os pais, emigrantes nos Estados Unidos, regressaram à ilha Graciosa, tinha 5 anos de idade e veio na sua companhia. Assim, assumia-se como açoriano. «Trabalhou duramente ao longo da vida. Nunca teve tempo para brincar, porque de menino se fez homem sem ter tido tempo ou oportunidade de ser rapaz» (Cf. Mário Bernardo, Diário de Notícias, 1995). «Homem de vasta cultura, solidário e discreto, inabalável no compromisso ético, despendia um olhar total, voltado cada vez mais para a relação humanizante, sem a qual nenhuma terapia se tornará eficaz» (Cf. Augusta Silva, Diário de Notícias, 1995). Foi o primeiro Professor de Oncologia das Universidades portuguesas, na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, em 1983. Dedicado ao ensino da Oncologia e à profilaxia do cancro, nunca perdeu ocasião, quer na sua relação com os meios de comunicação social quer na cátedra, de esclarecer e educar o público em geral, os alunos de Medicina e os colegas, na actividade médica ou no professorado. Cirurgião oncológico esclarecido, contribuiu de modo assinalável para o desenvolvimento da cirurgia da cabeça e do pescoço. Com grande capacidade de trabalho e muita perseverança, publicou mais de uma centena de artigos científicos, tornando-se o mais prolífero de todos os médicos que até então, em Portugal, escreveram sobre o cancro. Inicialmente, sobre técnica cirúrgica, depois reflectindo sobre temas como a saúde, a doença e a ética médica, e por fim sobre o homem face à morte. A PORBASE inclui uma lista destes trabalhos. No Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, desde 1945, foi nomeado Director do Departamento clínico, em 1972, e Director do Centro de Lisboa daquele Instituto, em 1978, tendo presidido à sua primeira comissão de ética, instalada em 1990. Organizador de congressos nacionais e internacionais de Oncologia, de semanas contra o cancro e de planos oncológicos nacionais, foi membro do Conselho Nacional de Oncologia e perito no programa Europa Contra o Cancro. As câmaras municipais de Santa Cruz da Graciosa e de Lisboa homenagearam-no dando o seu nome a uma rua. Luís M. Arruda (2002)
Obra principal. Conjunto de mais de 30 artigos publicados no Jornal do Médico, entre 1976 e 1992, sob o tema geral Reflexões.
Bibl. Botelho, L. S. (ed.) (2000), Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, 75 anos, 1923-1998. Lisboa, Elo - Publicidade e Artes Gráficas, Lda.. Diário de Notícias (1995), José Conde, 2 de Outubro: 31.
