Conceição, Mateus da (fr.)
[N. Santa Cruz das Flores, 4.10.1585 m. Ibid., 16.3.1653] 1.º Provincial da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores. Pregador e Lente de Teologia. Era filho de Mateus Coelho da Costa e de Catarina de Fraga Rodovalho, florenses, e irmão de fr. Diogo das Chagas e do pe. Inácio Coelho. Fez os primeiros estudos em Angra, prosseguindo-os, por volta de 1598, no Real Colégio da Companhia de Jesus da mesma cidade. Revelou tão notáveis dotes de inteligência que os jesuítas o convidaram para a Ordem, mas declinando o convite por não ser essa a sua vocação, colheu indício de destino no ter nascido em dia de S. Francisco e entrou como noviço, a 6.3.1602, no convento franciscano da vila da Praia, fazendo profissão no ano seguinte (7.3.1603). Como sinal da nova vida espiritual, mudou o nome de baptismo, Baltasar, para Mateus da Conceição. A continuidade dos seus estudos far-se-ia, desde então, nos colégios franciscanos de Angra, Coimbra e Xabregas. Pregador desde 1614, partiu para o Congo acompanhando D. fr. Simão Mascarenhas, bispo daquela diocese entre 1623-1624, que o fez visitador-geral do bispado, aí elaborando uma cronologia sucessória dos reis do Congo (Chagas, 1989: 91-96). Falecido o bispo, regressou, por via do Brasil, à Terceira, em 1625. Entre 1627 e 1639 leccionou em Angra, Xabregas, Coimbra e Évora. No Capítulo de 14.7.1629, da então custódia franciscana das ilhas dos Açores, celebrado pelo custódio fr. Pedro dos Santos em Ponta Delgada, foi designado para tratar secretamente, junto da Santa Sé, da separação desta custódia da Província dos Algarves e da sua constituição em nova Província. Munido dos documentos necessários e apoiado pelo bispo de Angra, D. João Pimenta de Abreu, intentou ir a Roma, mas foi impedido por um aviso anónimo, que revelava a manobra, dirigido dos Açores aos superiores continentais. Só em 1637, quando leccionava no convento de Xabregas, fez nova tentativa, agora coroada de sucesso, enviando a Roma o frade arrábido fr. João dos Mártires, que insinuando-se junto de alguns cardeais, nomeadamente o cardeal Belarmino, conseguiu, pelo breve de Urbano VIII, de 12.7.1638, que a custódia fosse desmembrada dos Algarves. Os frades de Xabregas ganharam protagonismo no processo por procurarem travar a separação, não só acusando os frades dos Açores, junto de Filipe III, de serem partidários do Prior do Crato, mas ainda fazendo uso malicioso das relações que eles próprios mantinham com Miguel de Vasconcelos, secretário do Conselho de Estado, deste conseguiram a ordem de prisão que, em 1639, o levou ao cárcere de Évora, logo após se ter sabido que havia sido criada a Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores, pelo Motu Proprio de Urbano VIII, de 12.6.1639, e eleito fr. M. da Conceição seu ministro provincial pela Patente de 26.7.1639, assinada por fr. João Meroneiro, ministro geral da Ordem Franciscana. Apesar de fr. Diogo das Chagas ter feito diversas tentativas para reaver o irmão, este só sairia do calabouço findos 14 meses, aquando do 1.º de Dezembro de 1640. Graças à reabilitação do provincial junto de D. João IV, pelos esforços de D. Rodrigo de Melo, que exercia funções de Justiça em Évora, e de um irmão deste, D. Francisco de Melo, marquês de Ferreira, fr. M. da Conceição foi autorizado a ir tomar posse da sua província, para onde partiu em 1641. Desembarcou na Praia da Vitória a 30.5 desse ano, celebrando, a 29 do mês seguinte, o primeiro Capítulo da nova Província no convento de Nossa Senhora da Conceição (Ponta Delgada). Acometido por súbita doença, em 1643, manteve-se na governação da Província, apesar do estado de saúde, até 1645. Faleceria oito anos depois com reputação de santidade, sendo sepultado no Convento de S. Francisco (Flores). Manuel Cândido Pimentel (Mar.2002)
Bibl. Pereira, J. A. (1939), Padres Açoreanos: Bispos, Publicistas, Religiosos. Angra do Heroísmo, União Gráfica Angrense: 97. Id. (1963), As Lutas pela Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores. Angra do Heroísmo, Tip. Andrade. Monte Alverne, A. (1960-1962), Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 3 vols. Chagas, D. (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. S.l., Secretaria Regional da Educação e Cultura/ Universidade dos Açores. Maldonado, M. L. (1989-1997), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, 3 vols.
