Conceição
1 Pequena freguesia urbana da cidade de Angra do Heroísmo, do concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, estreita e alongada, situada entre as freguesias de S. Bento, Posto Santo, Santa Luzia e Sé. GEOGRAFIA Com forma estreita e alongada, estende-se do planalto até à baía de Angra do Heroísmo, onde se localiza o porto. Em 1991 contava 4754 habitantes, dos quais 2266 homens e 2488 mulheres (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2002)
HISTÓRIA, CULTURA, SOCIEDADE, ECONOMIA Freguesia urbana da cidade de Angra do Heroísmo, com uma área de 2,47 km2. A sua criação é anterior a 1470 e foi erigida a paróquia em 1533. Tem como orago Nossa Senhora da Conceição. Em termos demográficos é a maior do concelho e a segunda mais populosa da ilha, com 4.754 residentes, em 1991. Foi uma das freguesias urbanas que mais se expandiu nos últimos anos e possui um conjunto de infra-estruturas e serviços públicos fundamentais a toda a ilha.
O porto de Pipas, construído nesta freguesia, é um dos mais antigos portos da ilha Terceira, através do qual se fez durante muitos anos a ligação com o exterior. Tem vindo a entrar em decadência com a criação do Porto Oceânico da Praia da Vitória.
No sector da indústria, estiveram instaladas na freguesia algumas das mais importantes fábricas da ilha: a do espadão (cabos e cordas), tabaco, curtumes, bolachas e biscoitos (Fábrica de Santo Cristo), lacticínios ( a primeira fábrica da UNICOL), louças, conservas (TERCON) e do agar-agar. No presente destacam-se a Moagem Terceirense, fábricas de rações (Moaçor e Provimi) e uma de macarrão. Muitas oficinas estão dispersas por toda a freguesia, com destaque para as de serviço de reparação automóvel. O parque de combustíveis ocupa uma vasta área junto ao Porto de Pipas.
Nela se encontram também as principais infra-estruturas da área da saúde: o Hospital de Santo Espírito, com novo edifício em 1961, o Hospital do Isolamento (1908), remodelado posteriormente, e a Casa de Saúde de S. Rafael (1927).
Na área da educação, o antigo Liceu, criado em 1844, ficou instalado no convento de S. Francisco até 1969, altura em que transitou para um novo edifício, também na freguesia. Depois do 25 de Abril passou a designar-se Escola Secundária e agregou a antiga Escola Comercial e Industrial, denominada Escola Dr. Salazar em 1937, sediada na freguesia. Existe, ainda, a Escola do Magistério Primário e de Educadores de Infância, a Escola Superior de Enfermagem, bem como várias escolas primárias, para ambos os sexos, que remontam a meados do século XIX.
Outros serviços públicos se encontram aqui instalados: Palácio da Justiça (1960), serviço de bombeiros (1963), Polícia de Segurança Pública (1975), Museu de Angra, no convento de S. Francisco, serviços de Intendência Pecuária e Florestais (1957), o matadouro, a praça de gado e os celeiros. A cadeia esteve instalada no antigo convento das Capuchas, até ser transferida para edifício novo, junto ao Palácio da Justiça. Algumas instituições de solidariedade também se instalaram na freguesia: o albergue, desde os anos 20 até 1968, o Orfanato João Baptista Machado e o Asilo de Infância Desvalida. O Asilo de Mendicidade continua a funcionar com a designação de Lar de Idosos. Das sociedades recreativas e desportivas destaque-se a Fanfarra Operária (1906), com sala de cinema a partir de 1969, e o Sport Clube Marítimo (1938).
Dos edifícios religiosos, a igreja paroquial é a mais antiga. Sucessivas obras e ampliações foram sendo feitas a partir de uma ermida do século XV, sendo as últimas de 1988. É um rico templo com três naves, várias capelas, quadros a óleo, painéis e talha dourada. Foi sagrada em Maio de 1946 e é sede do Santuário Mariano da Conceição (1987). Desenvolve actividade religiosa e social através dos seguintes organismos: *Conferência de S. Vicente de Paulo, Apostolado da Oração, Imaculada Conceição de Maria e Acção Católica. A igreja de Nossa Senhora da Guia, conhecida por Igreja de S. Francisco, foi concluída em 1672. Sofreu também várias remodelações, sendo a última de 1990. Nela jazem os restos mortais de João Vaz Corte-Real e Paulo da Gama. Na freguesia encontram-se várias ermidas, todas elas sujeitas a várias remodelações ao longo dos anos: a de Nossa Senhora do Desterro, construída por volta de 1530; a de Nossa Senhora dos Remédios, no solar do mesmo nome; a do Senhor Santo Cristo do Cruzeiro (1739), a de Nossa Senhora da Lapa (1840) e a de S. Lázaro (por volta de 1500). O culto do Espírito Santo é bastante antigo na freguesia. Estas festas realizavam-se inicialmente em impérios de madeira que depois foram sendo construídos em alvenaria. Nela se situa o Império do Outeiro (1670), o mais antigo da ilha, o da Rua Nova (1799), o da Caridade (1895), o da Guarita (1901), o do Lameirinho (1941) e o do Bairro Social de S. João de Deus (1991).
O *Castelo de S. Sebastião, conhecido popularmente como Castelinho, foi construído em 1555, para a defesa da baía de Angra. Desde 1964, tem servido como sede da Capitania do Porto de Angra, Comando da Defesa Marítima e Rádio Naval. No início do Estado Novo encarcerou alguns opositores ao regime. Brevemente será adaptado para uma pousada da Enatur. Outro edifício que merece destaque é o Solar dos Remédios, restaurado após o sismo de 1980, onde está instalada a Secretaria Regional da Educação e Assuntos Sociais. Para a rotunda da avenida Infante D. Henrique foi transferida, recentemente, a estátua de Álvaro Martins Homem, que esteve colocada, desde 1960, na Praça Velha. Carlos Enes (Fev.2001)
2 Freguesia do Concelho da Horta, ilha do Faial, situada a sul da freguesia de Praia do Almoxarife, a norte da freguesia da Matriz, e a oriente da de Flamengos. GEOGRAFIA Sobre a lomba da ponta da Espalamaca, domina a parte norte da baía da Horta. Em 1991 contava 1204 habitantes, entre 588 homens e 616 mulheres (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2002)
HERÁLDICA Ordenação aprovada pela assembleia de freguesia, em 20 de Junho de 1996:
Brasão - escudo de azul, duas armações de moinhos (dos Açores) de prata, vestidas do mesmo, realçadas de negro; em chefe, rosa mística de ouro, botoada de vermelho e folhada de verde; ponta ondeada de prata e verde de cinco tiras. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas Horta - Conceição.
Bandeira - branca. Cordão e borlas de prata e azul. Haste e lança de ouro.
Selo - nos termos da lei, com a legenda «Junta de Freguesia da Horta Conceição». Luís M. Arruda (2002)
HISTÓRIA, CULTURA, SOCIEDADE, ECONOMIA Uma das três freguesias que administrativamente integram a cidade da Horta. Pertence à diocese de Angra do Heroísmo e Ilhas dos Açores e tem como orago e padroeira Nossa Senhora da Conceição, celebrada no dia 8 de Dezembro de cada ano.
Situada no extremo nascente da cidade, engastada entre uma zona baixa urbanizada e a zona alta do Monte da Espalamaca, (promontório com 128 m e toponímia a recordar a passagem do povoamento flamengo no século XV), delimitada a poente pela freguesia da Matriz, servida por um litoral baixo, amplo e arenoso, (o mesmo que outrora envolvia todo o litoral da cidade), terá sido uma das primeiras povoações a surgir desse povoamento (1466), o qual, alargando-se paulatinamente para ocidente, terá encontrado as outras congéneres, ajudando a nascer o que hoje se constitui como a cidade da Horta.
Porventura terá sido em finais do século XVI (1580), segundo Gaspar Frutuoso, uma das freguesias mais importantes do Faial, quer em número de fogos existentes, quer em número real de habitantes.
É atravessada na sua zona mais ampla e plana, por um pequeno curso de água, a ribeira da Conceição, que no Inverno e devido à enorme pluviosidade local, se avoluma e toma consideráveis dimensões, e é, desde sempre, o elemento geográfico que a caracteriza e a faz distinguir das suas congéneres citadinas. Ligando-a entre si e vencendo esse obstáculo natural que a divide, foi construída uma ponte, inicialmente rudimentar (ao que parece, com as características flamengas que lhe advinham ainda do povoamento), e que, ao longo dos tempos, foi sendo remodelada e reconstruída, uma das quais geradora de polémica (1866), configurando-se naquilo que é actualmente, já na década de 60 do século XX.
Voltada para o mar, que perpassa a escassos metros da zona mais povoada, parte da freguesia transpira história e transporta o viandante a tempos recuados, quer pela traça de algumas das suas mais pequenas e modestas habitações, quer pelo traçado estreito e sinuoso de algumas das suas mais antigas artérias (antiga Zona Velha: Rua do Bom Jesus, Rua Filipe Carvalho).
Acompanhada ao longo do seu litoral por uma ampla praia de areias finas, possuidora, desde as zonas mais baixas às mais altas, de exuberantes, belas e vistosas paisagens, estas sobretudo alcançadas do miradoiro da Espalamaca e da zona dos moinhos (como a da majestosa montanha da ilha do Pico, a da própria cidade, que lhe escorre a seus pés num aconchegado e colorido vale, e mais para nascente, as das ilhas de S. Jorge e Graciosa), é actualmente a menos populosa, mas nem por isso a de menor interesse ou menos pitoresca das freguesias citadinas.
Presentemente detém uma população de 1204 habitantes e 1000 eleitores (censo de 1991), cifra que já foi bastante superior, (segundo F. Serpa, em 1871, a população activa era de 1686 habitantes), constituindo-se todavia, como uma das comunidades mais diligentes e activas da cidade, nas mais variadas vertentes sócioculturais e desportivas.
Algumas das suas peças arquitectónicas de mais valia, como a antiga igreja paroquial, consagrada à padroeira, e à semelhança do que aconteceu um pouco por toda a urbe, foi totalmente destruída por um terramoto (1926). Outras mais terão desaparecido por varias e variadas razões, como o Palacete do Barão da Ribeirinha, por explosão, em 1941 (transformado em aquartelamento); o Palacete do Pilar, na vertente da encosta da Espalamaca, por incêndio em 1995. Entretanto existem reminiscências de um passado arquitectónico de alguma valia, numa ou noutra casa senhorial, que escapou aos inúmeros sismos e às pilhagens e incêndios da pirataria, porque a ilha e a freguesia foram passando ao longo dos tempos (este século, só entre 1900 e 1930, foram sentidos trinta e nove sismos de média e grande intensidade, segundo M. de Lima, um dos quais terramoto (Agosto de 1926), sendo a freguesia uma das mais atingidas. Verificou-se ainda outro terramoto, de intensidade e duração semelhantes (ambos de origem tectónica), no dealbar deste século (9 de Julho de 1998).
A igreja paroquial, inicialmente assumindo-se apenas como ermida, e uma das peças arquitectónicas de mais relevo e valia, ao redor da qual o aglomerado populacional se fixou e desenvolveu, foi edificada junto à margem sul de uma ribeira (Ribeira da Conceição) e é coeva do povoamento (1466). Queimada e saqueada pela armada do conde de Essex (1597), foi reedificada pela segunda vez em 1607; pela terceira, em 1749 e pela quarta em 1933, após o terramoto de 1926, que a destruiu totalmente.
Complementando o espólio arquitectónico e religioso da freguesia, existem ainda três ermidas: a do Pilar, no centro íngreme da encosta do Monte da Espalamaca (1701); a de Santo Amaro, no local do mesmo nome (1537), e a de S. Lourenço, edificada no interior da quinta do mesmo nome (1651), onde se albergam actualmente, os serviços agrários e veterinários oficiais da ilha
Existe ainda o monumento a Nossa Senhora da Conceição, em mármore branco e de amplas dimensões, no cimo do Monte da Espalamaca, com feérica iluminação nocturna.
Como organismos culturais, desportivos e sociais, sobressaem: A sede da filarmónica Artista Faialense, a mais antiga da ilha e uma das mais antigas do arquipélago. Fundada em 22 de Fevereiro de 1858, com um vasto e profícuo historial, salientando-se o acompanhamento e a presença ancestral em festas e acontecimentos de carácter religioso e social, ao longo de cerca de um século e meio. Consagrando-lhe ainda a acção, há a registar inúmeras deslocações e digressões pelo arquipélago, bem como ao Continente Português e Estados Unidos da América. Fayal Sport Clube, o mais antigo de todos os clubes desportivos açorianos, registando no seu vasto e longo palmarés, um invejável e importante somatório de participações e sucessos na senda desportiva regional, tendo sido campeão faialense e açoriano por diversas vezes e em diversas categorias, nas modalidades de futebol e basquetebol ao longo dos anos, e embrião fomentador das mais diversas e diversificadas modalidades desportivas.
Representa presentemente, um ex-libris desta freguesia.
O Aero Clube da Horta, fundado a 14 de Julho de 1989, tem a sua sede social localizada na freguesia, mais concretamente no cimo do Monte da Espalamaca, local que oferece as condições desejáveis à pratica de desportos aéreos. Desenvolvendo uma acção pedagógica apreciável, é, para além do único organismo do género na ilha, o responsável por vários encontros de Parapente nos Açores, contando com mais de 25 praticantes federados e sendo membro da Federação Portuguesa de Voo Livre.
O Corpo Nacional de Escutas, Agrupamento Nº. 1064, que em Maio de 1995 foi oficializado com sede na freguesia. Iniciando-se com cerca de 62 elementos, desenvolvendo um escutismo de índole católica a partir dos princípios do seu fundador, o britânico Baden-Powell; privilegiando, para além das vocações normais do escutismo tradicional, a da música (eucarística e popular), tendo mesmo com um dos seus agrupamentos musicais, obtido alguns prémios de valor, na participação em festivais da canção.
Nesta Freguesia estão sediados alguns organismos oficiais, como o Tribunal da Comarca da Horta, o Cartório Notarial, o Registo Comercial, o Registo Civil, o Registo Predial e o Registo Automóvel, no Palácio da Justiça, o Núcleo da Horta do Serviço Regional de Estatística e o Sindicato Democrático dos Professores dos Açores. Possui uma Escola Básica.
É, à semelhança das outras freguesias citadinas, uma comunidade em que o sector primário, outrora com peso desmesurado na economia local, tende a baixar significativamente e atingir níveis aceitáveis no contexto actual, fazendo crescer os sectores secundário e terciário que se tornaram porventura mais atraentes e acessíveis às populações.
O sector do comércio, ao invés do da indústria, (incipiente e pouco organizado), tem alguma expressão, sobretudo nas vertentes alimentar, (mini e supermercados); eléctrica (artigos eléctricos e electrodomésticos); ramo automóvel (venda de veículos e peças); confecções, tecidos, pronto a vestir; moda, penteado e cabeleireiro; restauração, bares, snacks e cafés.
Há ginásios de manutenção e musculação; consultórios, (estomatologia e próteses).
Existem oficinas de mecânica de automóvel; estofador; serração, carpintaria; transitários; pescas; floricultura, construção civil, etc.
É também nesta freguesia que está implantado o Parque da Cidade, denominado Victorino Nemésio, um projecto ambicioso de lazer, que conta com piscina, campos de ténis, numa ampla área esplendorosamente arborizada junto à praia, restaurante e bar panorâmicos entre outros, variados e substanciais melhoramentos. Humberto Moura (Mar.2001)
3 Freguesia do concelho da Ribeira Grande, que em 1991 tinha 1818 habitantes, dos quais 907 homens e 911 mulheres (INE, 1991), onde está situada a cidade da Ribeira Grande, sede do concelho. GEOGRAFIA Fica situada na vertente setentrional da ilha de S. Miguel, entre as freguesia da Ribeira Seca, a ocidente, as da Matriz da Ribeira Grande e de Porto Formoso, a ocidente, e a de Água de Alto, a sul. Estende-se, com forma alongada, entre a costa e o cume da serra de Água de Pau. A parte mais alta é declivosa, com topografia movimentada (salientando-se os picos Vermelho, da Eira e do Cordeiro) e bem drenada. A Ribeira Grande é o principal curso de água, e constitui o limite com a Ribeira Seca. Na parte oriental da freguesia, na alta vertente, existem as nascentes da água das Lombadas. A costa, de arriba baixa, apresenta-se orlada por calhau. 4 Pequeno cone vulcânico com 113 m de altitude, situado na freguesia da Conceição, a noroeste da cidade da Horta, ilha do Faial. 5 Lugar situado na parte oriental da povoação das Capelas, concelho de Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel. 6 Lugar da freguesia de Lomba da Fazenda, concelho de Nordeste, ilha de S. Miguel, situado ao longo da estrada, entre as povoações da Fazenda e da Lomba da Cruz. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2002)
Bibl. Chagas, D. (1982), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. Ponta Delgada. Frutuoso, G. (1963), Livro Sexto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Instituto Nacional de Estatística (1991), XIII Recenseamento Geral da População. III Recenseamento Geral da Habitação. Dados definitivos. Lisboa, INE. Lima, M. (1943), Anais do Município da Horta. Famalicão, Of. Gráficas Minerva. Macedo, A. L. S. (1981), História das Quatro Ilhas que Formam o Distrito da Horta. Ponta Delgada, Secretaria Regional de Educação e Cultura, III. Merelim, P. (1974), As 18 paróquias de Angra. Angra do Heroísmo, Tip. Minerva Comercial: 83-120. Rebelo, E. (1982), Notas Açorianas. Arquivo dos Açores, Ponta Delgada, VII. Serpa, F. (1943), Os Flamengos na Ilha do Faial. Horta. Ribeiro, J. (1998), Dicionário Toponímico, Ecológico, Religioso e Social da Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Direcção Regional dos Assuntos Culturais. Sampaio, A. (1904), Memória sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal.
