Companhia de Seguros Açoreana

A constituição da Companhia de Seguros Açoreana, em 2 de Abril de 1892, período em que germinava o espírito autonomista, surgiu como reacção à saída de elevados quantitativos para o exterior, através dos montantes dos prémios a pagar às seguradoras nacionais e estrangeiras, relativos ao transporte da laranja e do ananás para o exterior. O capital social de mil contos, dividido em dez mil acções, de cem mil réis cada, foi rapidamente subscrito, sendo, no entanto, realizado, apenas, 10% do mesmo.

No seu percurso histórico regista-se um encadeado de fenómenos endógenos e exógenos, que em muito influenciaram as actividades da Companhia de Seguros Açoreana, e que terão determinado a adopção de diferentes estratégias sem que, em momento algum, se questionasse a sua sobrevivência como empresa de capitais açorianos.

Em 1950, face à nova legislação para o sector, que obrigava a Açoreana a reintegrar as reservas constituídas com mais 880 contos, e perante a possibilidade de fusão numa grande companhia nacional, a Companhia de Seguros Açoreana respondeu com um aumento do capital social, para o montante de 2.000 contos, embora à custa de uma alteração na correlação de forças e poderes entre os seus accionistas. A empresa Bensaúde que já detinha o maior lotes de acções da Açoreana torna-se o accionista maioritário, posição que manteve até 1975.

Na sequência das nacionalizações dos Seguros, em Portugal, e da reestruturação da actividade seguradora, a Companhia de Seguros Açoreana passou para a tutela do Governo Regional, ficando reduzida a sua área geográfica de actuação ao arquipélago dos Açores.

Tornava-se urgente renovar a estrutura organizativa da Açoreana e, essencialmente, capitalizá-la, mas as dificuldades orçamentais da Região não o permitiam e, desde o início da década de 90, é preparada a sua reprivatização.

O ano de 1996, marca o regresso da Companhia de Seguros Açoreana ao sector privado da economia, com a reprivatização do Banco Comercial dos Açores que, desde Dezembro de 1994, detinha a totalidade do capital da seguradora.

A partir de 1997, a Açoreana, integrada no Grupo Banif, desenvolveu uma estratégia renovada visando melhorar o seu posicionamento no mercado. Procedeu à expansão geográfica, aumentando a sua presença no continente e implantando-se na Região Autónoma da Madeira, para além de se afirmar nos Açores, quer pela modernização das suas instalações, quer pela segmentação de mercado, até então inexistente.

A aquisição, em 1997, e a posterior fusão, em 1999, da Oceânica – Companhia de Seguros, assim como das Companhias de Seguros O Trabalho e O Trabalho Vida, em 2000, revestiu-se de grande importância para os objectivos da Companhia, consubstanciados numa estratégia de crescimento e afirmação.

Passados 110 anos, mantendo a denominação que lhe conferem a sua génese e a sua História, a Companhia de Seguros Açoreana ultrapassou as fronteiras do arquipélago e catapultou-se para o cenário segurador nacional, confirmando um percurso de atenção às exigências tanto locais como nacionais. Fátima Senra Estrela (Dez.2002)