comendadores

Da primitiva comenda do início do povoamento dos Açores sabe-se que foi comendador das ilhas de Santa Maria e S. Miguel Frei Gonçalo Velho, mas desconhece-se quando foi nomeado (sendo, porém, antes de 1443) ou quando terminou a comenda, mas certamente por volta de 1460, quando Gonçalo Velho passou a capitão. Isto não quer dizer com toda a certeza que não possa ter continuado a ser comendador, separando-se simplesmente as duas administrações, a civil e a religiosa.

Da comenda da Nossa Senhora da Assunção de Santa Maria, criada por D. Manuel em 1514, conhecem-se todos os comendadores até à sua extinção em 1862. Foram 13 os comendadores.

O 1º foi D. Luís Coutinho, o 2º, D. Francisco Coutinho (m. 1555), o 3º, D. Luís Coutinho (1567 – m. em Alcácer-Quibir), o 4º D. Jerónimo Coutinho. Com este comendador, que seguiu o partido de D. António, prior do Crato, terminou o governo desta família e deu-se um interregno na nomeação de comendadores, só voltando em 1624 a ser nomeado como comendador o 5º, Brás Soares de Sousa (m. 1626). Isto não quer dizer que não tenha havido administrador, mas simplesmente que não foi nomeado comendador. Foi até, sabemos, administrador Jorge de Lemos Bethencourt (m. 1621).

Por não ter Brás Soares de Sousa filho varão legítimo, foi nomeado 6º comendador D. Francisco de Sá, em 1637. Como este seguiu o partido espanhol, a quando da Restauração, a comenda foi dada por livre em 1649 e passou a uma nova geração de comendadores, os Mascarenhas.

O 7º comendador foi D. Jorge Marins Mascarenhas, por ter casado com D. Joana de Meneses, a quem a comenda fora dada como dote. O 8º comendador foi D. Branca Mascarenhas, a quem foi dada em 1667 a comenda como dote, mas morreu solteira. O 9º comendador foi D. Francisco Martins Mascarenhas (m. 1710) e com ele passou a comenda a outra família.

Foi 10º comendador Luís António de Bento Baharem, em 1710, e 11º D. Mariana Joaquina de Bento Baharem, que casou com D. João de Lencastre, conde da Lousã. Assim, em 1753, passaram a comendadores os condes da Lousã. Foi 12º comendador o 2º conde D. Luís António de Lencastre de Basto Baharem, em 1769, e 13º e último comendador o 3º conde, D. Diogo José Ferreira de Eça e Meneses, nomeado em 1804.

Da comenda da ilha das Flores também se conhecem os comendadores todos. O 1º foi Frei Gonçalo de Sousa da Fonseca, por carta de 1566, onde se diz que já «possuía os dízimos da ilha das Flores e do ilheo do Corvo», mas sem carta. Teriam os anteriores senhores também todos os dízimos? Não sabemos, mas é possível.

Com a morte de Frei Gonçalo foi dado por livre o senhorio e a comenda, que passou por mercê de Filipe II a D. Francisco de Mascerenhas, feito 1º conde de Santa Cruz (1593) e nesta família se manteve, sendo assim, nas Flores, os comendadores os próprios senhores da ilha. A sucessão é a seguinte: D. Martinho de Mascarenhas, 2º conde (1608), D. Brites, casada com D. João de Mascarenhas, 3º conde (1650), D. Martinho de Mascarenhas, 4º conde (1657), D. João de Mascarenhas, 5º conde (1682), D. Martinho de Mascarenhas, 6º conde (1692) e D. José de Mascarenhas, 7º conde e duque de Aveiro (1739), justiçado em 1750 e com quem acabou o senhorio e a comenda, ainda que os bens tenham sido aforados por três vidas a Pedro José Campers. J. G. Reis Leite (Mar.2001)

Bibl. Arruda, M. M. V. (1944), Comenda de Santa Maria da Assunção da ilha de Santa Maria. Os comendadores. Insulana, Ponta Delgada, I, 2: 159-172. Gomes, F. A. N. P. (1997), A Ilha das Flores: Da Redescoberta à Actualidade. Câmara Municipal das Lajes das Flores: 403-428.